Temos esperança em um acordo entre Governo e Igreja, diz Berta Soler, dirigente das Damas de Branco em Cuba

Mauricio Vicent

Em Havana (Cuba)

  • AFP

    As Damas de Branco, organização formada por mães e esposas de dissidentes, voltaram às ruas de Havana nesta quinta-feira, no sétimo aniversário da prisão de seus 75 familiares

    As Damas de Branco, organização formada por mães e esposas de dissidentes, voltaram às ruas de Havana nesta quinta-feira, no sétimo aniversário da prisão de seus 75 familiares

Berta Soler é uma das mulheres mais ativas do movimento das Damas de Branco. É esposa de Ángel Moya, membro do Grupo dos 75, condenado a 20 anos de prisão na primavera de 2003. Desde então, todo domingo ela desfila pacificamente e vestida de branco pela Quinta Avenida de Havana, pedindo a libertação de seu marido e dos demais opositores encarcerados. No sábado visitou, junto com algumas de suas companheiras, o cardeal Jaime Ortega, que lhes informou sobre o andamento das gestões da Igreja. Pela primeira vez em muito tempo ela vê um raio de luz no horizonte.

El País: O que a Igreja lhes disse?

Berta Soler: A Igreja nos explicou que há algumas conversas e gestões a favor dos presos, e que poderão dar frutos. Fala-se na aproximação dos presos de suas províncias de origem e na hospitalização dos mais doentes. Também nos disseram que continuarão as gestões e os contatos com o governo para conseguir a libertação dos presos doentes.

El País: De que prazos estamos falando? Parece que para Guillermo Fariñas disseram que as primeiras medidas poderiam ser executadas esta semana.

Soler: Conosco não falaram de prazos nem de momentos. Se disseram isso é com Fariñas, tomara que seja assim.

El País: Como a senhora avalia as gestões da Igreja?

Soler: Elas nos enchem de esperança. As gestões são muito válidas, tanto para as Damas de Branco como para os presos, e já surgem os primeiros resultados. Nós, graças a um pedido da Igreja, já podemos desfilar sem que nos façam atos de repúdio, e se agora ocorrer a aproximação dos presos, a hospitalização dos doentes e depois sua libertação, então vai no rumo certo.

El País: A quê a senhora acredita que se deva a nova atitude do governo?

Soler: Não sei, mas parece que começou a escutar a Igreja. E isso é bom, pois está havendo uma resposta positiva e sem violência. Como lhe dizia, desde 1º de maio não houve mais atos de repúdio.

El País: Seu marido poderá se beneficiar das medidas humanitárias?

Soler: Não creio, ele é jovem, não está doente e está perto, na prisão de Havana. Mas isso não é o importante. Qualquer gestão vale a pena: se aproximam os presos vale a pena; se libertam um ou dois dos mais doentes, vale a pena. De qualquer modo, continuaremos pedindo a liberdade de todos.

El País: Os desfiles vão continuar?

Soler: Até o último preso.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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