Ensine sua equipe a esperar o sucesso

Christina Curtis*

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Líderes bem-sucedidos antecipam o sucesso e isso os ajuda a atingi-lo. Pesquisas mostram que expectativas elevadas os levam a trabalhar mais arduamente e a se empenharem para vencer os desafios à frente. Como descreve a diretora jurídica da HP Inc., Kim Rivera: "Eu encaro uma situação com os olhos bem abertos, ciente de que pode ultrapassar os limites do meu intelecto, os limites das minhas emoções e que, às vezes, ficarei esgotada. Eu espero toda essa turbulência, mas mesmo assim sei que chegarei lá".

Meus clientes de "coaching" parecem entender intuitivamente como essa mentalidade os ajuda a superar obstáculos e atingir suas metas. Eles querem os mesmos resultados para os membros de suas equipes.

Os trabalhos de "coaching" que realizo com mais de 1.500 pessoas e as entrevistas com 25 altos executivos que lideram equipes nas empresas da Fortune 500 revelaram três estratégias comuns para ensinar as equipes a esperarem o sucesso. Em grande parte, isso ajuda os líderes individuais a também trabalharem bem com os grupos que lideram.

1. Reformular a narrativa da equipe

Nós tendemos a processar e lembrar dos eventos como histórias. Essas narrativas afetam como vemos o passado e como agiremos no futuro. Quando um revés ocorre, os membros da equipe podem se ver presos em uma história de vergonha, culpa ou de esquiva, que podem reduzir a motivação e o desempenho. Como explica Priya Anant, diretora global de vendas do Google: "Às vezes os membros da equipe veem um beco sem saída quando, na verdade, é apenas uma curva fechada na estrada".

Após um revés, ajude os membros de sua equipe a identificarem o que saiu errado e pergunte a eles o que aprenderam com aquilo. Essa ênfase no aprendizado retirará o foco deles do fracasso e o passará ao que será possível da próxima vez.

2. Destaque o que está funcionando

Assim como a criação de uma narrativa negativa e a concentração nos erros mina a confiança, o reverso também é verdadeiro. Ao fornecer um "feedback" mais positivo, você pode ajudar a equipe a antever seu sucesso e elevar o desempenho.

Priya Anant, do Google, compartilhou uma história sobre um subalterno direto que estava hesitante em assumir novos projetos e duvidava de suas próprias decisões. Anant o ajudou a se concentrar em seus pontos fortes e em como estes estavam gerando resultados positivos. Ela elevou simultaneamente a confiança e a competência dele. Ele acabou superando suas próprias dúvidas e posteriormente foi promovido.

Mas os líderes podem ter dificuldade para encontrar tempo para refletir sobre os esforços de suas equipes. Enquanto a semana pode se encher rapidamente de ruas sem saída na busca por resultados, o reconhecimento discretamente é excluído do calendário.

Tempo não é o único desafio. A psicologia evolutiva nos ensina que os seres humanos estão programados para analisar em excesso os pontos negativos. Esse é o motivo para eu alertar os líderes a não empregarem a abordagem "sanduíche" no "feedback" (positivo, negativo, positivo). Mesclar elogio e crítica em uma conversa degrada o poder do apreço. Isso treina as pessoas a não confiarem em elogios, já que aprendem a aguardar pelo iminente "mas".

Os líderes que demonstram confiança nas habilidades de suas equipes descobrirão que os membros da equipe passam então a ter mais confiança em si mesmos. É importante agendar lembretes semanais para compartilhar o que está funcionando e como as contribuições individuais e por equipe estão produzindo os resultados.

3. Dê maior controle aos membros de sua equipe

Há muito tempo sabemos que dar aos funcionários um maior peso na decisão do estabelecimento de metas e determinar como o trabalho deve ser feito amplia o compromisso deles em atingir o resultado. Pesquisas ilustram consistentemente os benefícios do empoderar os outros. Um estudo em particular a apontou como a forma mais eficaz de aumentar a produtividade de uma equipe.

Uma cliente minha, Julie, uma vice-presidente-executiva, herdou um grupo que sofria uma hemorragia de talentos. A equipe tinha perdido cerca de um terço de seus membros originais, com outros ainda à procura de empregos diferentes. Julie estabeleceu a visão de como seria o sucesso, articulando claramente sua crença na capacidade deles de serem bem-sucedidos. Ela então deu um passo para trás, entregou as rédeas e os deixou definirem o caminho para chegar lá. Poucos meses depois, um dos diretores me contou que a crença de Julie no sucesso da equipe se traduziu em um senso renovado de motivação e propriedade: eles também começaram a acreditar.

Para empoderar sua equipe, você precisa estabelecer a confiança. Eu recomendo com frequência que os líderes avaliem a força de seu relacionamento com cada subalterno direto. Quanto mais forte o relacionamento, maior o esforço e a intensidade que o membro da equipe provavelmente investirá. Qualquer relacionamento que receba uma nota 3 de 5 ou menor merece um plano de ação para mudança da dinâmica atual.

Até mesmo líderes que esperam de si mesmos o sucesso, e consequentemente o obtém, com frequência não pensam em promover essa mentalidade em suas equipes. Assim como os indivíduos, as equipes têm uma maior chance de atingir grandes coisas quando acreditam que atingirão.

(*) Christina Curtis é coach de liderança da Ignite Performance Consulting, uma empresa com sede em Denver, Colorado (EUA)

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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