Maus-tratos de animais podem esconder violência doméstica, diz perito veterinário

Patricia R. Olsen

  • Victor J. Blue/The New York Times

    O perito veterinário Robert Reisman com Charlotte, a mestiça de poodle com maltês de 2 anos de idade encontrada em uma lata de lixo, em Nova York

    O perito veterinário Robert Reisman com Charlotte, a mestiça de poodle com maltês de 2 anos de idade encontrada em uma lata de lixo, em Nova York

Robert Reisman, 62, é um perito veterinário da Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade a Animais (ASPCA na sigla em inglês), em Nova York.

P.: O que você faz como perito veterinário?

R.: Nossa equipe investiga crueldade contra animais, o que inclui confinamento, lutas de animais e outras formas de negligência e abuso, e auxilia no preparo dos processos contra os criminosos.

Nós examinamos fisicamente os animais que nos são trazidos pelo Departamento de Polícia de Nova York ou pelo nosso Hospital de Animais da ASPCA, assim como coletamos evidência, como DNA, em animais vivos e mortos. Também visitamos cenas de crime e realizamos autópsias em animais.

P.: Diga uma coisa da qual particularmente se orgulhe.

R.: Nossa parceria em 2014 que transferiu os deveres de fiscalização de casos de crueldade contra animais de nossa Divisão de Lei Humanitária para o Departamento de Polícia de Nova York.

Victor J. Blue/The New York Times
O perito veterinário Robert Reisman e seu assistente Roni Afriat pesam Charlotte

É inovador contar com uma grande força policial urbana para responder a crimes contra animais da mesma forma como ela responde a outros crimes, assim como nossa capacidade forense. Nós agora podemos atender cinco vez mais o número de animais que atendíamos antes.

P.: Qual foi o caso mais memorável para você?

R.: Em 2015, uma filhote maltês foi trazida a um hospital veterinário em Staten Island para seu check-up de oito semanas. Ela voltou duas semanas depois com uma pata fraturada, e mais tarde naquele dia foi encontrada em um saco de lixo à beira da estrada, com crânio fraturado e uma lesão no cérebro.

Alguns bons samaritanos a resgataram, os veterinários que a trataram reconheceram seu laço presilha cor-de-rosa e chamaram a polícia. O promotor conseguiu mostrar a culpa do dono e eu escrevi um relatório usando a informação dos exames de tomografia computadorizada para descrição de seus ferimentos.

A informação forense ajudou a condenar o dono, que foi para a prisão. Felizmente, a cadela se recuperou e um dos veterinários a adotou.

P.: O abuso de um animal pode ser sinal de outros problemas?

R.: Animais feridos no contexto de violência doméstica são uma preocupação minha em especial. Ameaçar um animal é uma forma do agressor ou agressora tentar controlar o parceiro ou parceira. Além disso, se um animal está sofrendo abuso físico, é preciso se preocupar com a violência contra uma criança na casa.

P.: Você tem algum animal de estimação?

R.: Adotei um poodle mestiço da ASPCA há mais de 17 anos, que meu filho de 3 anos batizou de Pasta de Amendoim. Nós ainda o temos. Eu também adotei dois gatos nascidos de uma gata que foi vítima de abuso. Eles completaram quatro anos em fevereiro.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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