A recente conclusão das negociações do acordo Mercosul-União Europeia representa, à primeira vista, um sopro de esperança para o comércio internacional em tempos turbulentos. Em um cenário global marcado pela ascensão do protecionismo, por tensões geopolíticas crescentes e pelo questionamento da ordem liberal internacional, o simples fato de duas importantes regiões do mundo sinalizarem disposição para maior integração comercial merece atenção. O acordo, cujas negociações se arrastam desde 1999, abrange uma ambiciosa agenda que vai além do comércio, incluindo diálogo político e cooperação. Sua amplitude é notável: propõe-se a reduzir tarifas, eliminar barreiras ao comércio de serviços e harmonizar regras em áreas cruciais como propriedade intelectual e compras governamentais. Em teoria, representa um compromisso com o multilateralismo e o livre comércio em um momento em que estas ideias enfrentam severos questionamentos. |