Até outro dia, Bolsonaro vangloriava-se de ser "imorrível", "imbrochável" e "incomível". A partir do indiciamento por tentativa de golpe, passou a ser também indefensável. Na primeira reação, renovou a pose de vítima, atacou Alexandre de Moraes e incluiu Paulo Gonet no seu baralho: "É na Procuradoria-Geral da República que começa a luta." Sem dispor de uma defesa crível, Bolsonaro joga com o tempo e o tumulto processual. Interessa ao capitão embaralhar o jogo, retardando a distribuição das cartas. A eficácia da estratégia que mistura vitimização com embromação será eterna enquanto as autoridades permitirem que dure. |