Difícil escapar da lógica apresentada por Leonardo Sakamoto: "Ao tirar licença do mandato de deputado federal, Eduardo Bolsonaro acaba chancelando a acusação de que estaria conspirando contra a democracia brasileira ao pedir ajuda a autoridades dos Estados Unidos para emparedar nossas instituições. Ou seja, ao ficar nos EUA por tempo indeterminado em vez de voltar ao país e defender sua posição, o filho 03 faz uma confissão de culpa". Wálter Maierovitch acha que o deputado não respeita o mandato para o qual foi eleito e que lhe confere meios para lutar por o que quiser dentro do quadro institucional do Brasil, em vez de pleitear intervenção estrangeira. "Deveria renunciar", diz o jurista. Raquel Landim também critica o teatro do ex-quase embaixador do Brasil nos EUA, mas atenta para informação publicada hoje por Letícia Casado: de que ministros do STF teriam pressionado Valdemar Costa Neto, presidente do PL, para que o partido não indicasse Eduardo para a presidência da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. "Não cabe aos ministros do Supremo intervir nas atividades do Legislativo ou dos partidos políticos, seja ela quais forem", argumenta. "Defender a democracia não justifica o atropelo da própria democracia". No mais, a rejeição pela PGR (e por Alexandre de Moraes) de apreender o passaporte do parlamentar enfraqueceu o seu discurso. "Agora, ele não vai ter mais uma desculpa como essa para poder ficar nos Estados Unidos", diz Andreza Matais ao UOL News. |