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Camarotização de Trancoso não é nem um pouco chique

Gloria Kalil

Gloria Kalil

é jornalista, empresária e consultora de moda

Especial para o UOL

07/01/2015 06h00

O tema da redação da Fuvest deste ano foi “Camarotização”. Parece que o assunto desnorteou alguns alunos, que confessaram não ter entendido muito bem do que se tratava. Mas, de qualquer modo, não deixou de ser uma escolha interessante e, antes de tudo, muitíssimo atual.

Camarotização, pelo que entendo, é o fenômeno social de inventar uma suposta classificação de privilégios para pessoas ou lugares - como boates, festas, estádios esportivos -, nos moldes dos camarotes de Carnaval dos grandes sambódromos do país.

Trata-se de um tratamento VIP para “poucos e bons”. Uma espécie de carteirinha de primeira classe para quem tiver acesso a um dresscode específico, ou a um crachá para lá de exclusivo, ou a um convite especial, que dá a essa pessoa a condição de VIP.

Kate Moss em Trancoso - Ali Karakas/Divulgação - Ali Karakas/Divulgação
Top Kate Moss (centro) se diverte com amigos no Réveillon em Trancoso (BA)
Imagem: Ali Karakas/Divulgação

Pois pelo que vi nas fotos do Réveillon, acabam de camarotizar a praia de Trancoso, no sul da Bahia! A pequena vila de pescadores, um dos mais lindos lugares da nossa costa, está virando uma espécie de Cannes tropical, cheia de tapetes vermelhos e de troca de roupas digna das mais delirantes fashionistas. O VIP aqui pode ser lido como 'Viemos Invadir esta Praia'!

O famoso Quadrado, com suas casinhas coloridas, transformou-se em passarela de moda das roupas e das montagens de look mais extravagantes e sofisticados, que muito pouco têm a ver com o espírito da vila.

Daqui a pouco, os moradores e antigos frequentadores só vão poder entrar no pedaço se estiverem com um vestido de marca, uma maquiagem de palco e um crachá que os autoriza a circular como no melhor estilo Festival de Cannes em dia de premiação final. Inadequado, portanto, nada chic.

Uma pena.

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