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Votos nulos, brancos e abstenções são oportunidades perdidas

Fernando Bizerra Jr/EFE
Imagem: Fernando Bizerra Jr/EFE
Edson Campagnolo

Edson Campagnolo

é presidente da Fiep (Federação das Indústrias do Paraná) e vice-presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria)

Especial para o UOL

28/10/2016 06h00

Eleitores de 57 cidades brasileiras voltarão às urnas no dia 30 de outubro para escolher prefeitos e vices em votação de segundo turno. São cargos importantes ainda em disputa no sistema político e que precisam de atenção máxima dos cidadãos. 

Mas o resultado do primeiro turno das eleições municipais já revelou, de forma contundente, o desalento do brasileiro com a política. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, a soma de votos nulos, brancos e abstenções no último dia 2 superou o primeiro colocado na corrida à prefeitura de dez capitais, entre elas Curitiba (PR), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG).

Os infindáveis escândalos de corrupção deixam claro que o país vive uma profunda crise moral na política. Nada, entretanto, deveria servir como argumento para que o eleitor desperdice seu voto. O desinteresse da população dá espaço para que a estrutura e os recursos públicos sejam operados de forma irresponsável, servindo a projetos individuais e não aos verdadeiros interesses coletivos.

O índice de eleitores que não compareceram ao primeiro turno das eleições 2016 foi de quase 18% em todo o Brasil. Sem dúvidas, sinal de que algo precisa mudar. Assim como o desemprego recorde que atinge cerca de 12 milhões de famílias deixa evidente a necessidade de medidas para estimular a atividade econômica, o resultado das urnas clama por mudanças no ambiente político. Reformas econômicas são indiscutivelmente urgentes, mas para o Brasil entrar de fato no rumo certo, a reforma política precisa igualmente ser incluída na pauta.

Entre outras alterações, defendo o fim de eleições a cada dois anos. A unificação dos pleitos, além de reduzir gastos, evitaria o que acontece hoje: diversos setores paralisados enquanto as forças políticas estão voltadas para os arranjos e os interesses da disputa eleitoral.

É necessário que o Congresso Nacional e o governo federal se mobilizem para aprovar novas regras que melhorem a economia e a política do país. Mas cada cidadão também precisa fazer a sua parte. Participar da vida política é uma obrigação de todos. Essa ação começa pelo voto, com uma escolha criteriosa dos representantes, e deve continuar depois das eleições, com o acompanhamento da atuação dos eleitos.

Para incentivar esse envolvimento político, a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e uma centena de entidades parceiras lançaram o “Vote Bem” (www.votebem.org.br), uma campanha apartidária que dissemina informações sobre o processo eleitoral e o funcionamento das instituições públicas. Acreditamos que o engajamento da sociedade civil é um importante combustível de transformação da cultura política.

Não há ferramenta mais eficiente para aprimorar os processos eleitorais e melhorar a qualidade dos candidatos do que a constante participação dos indivíduos nos assuntos coletivos. Cada voto nulo, em branco ou abstenção é uma oportunidade perdida para realmente mudarmos o quadro político e construirmos um cenário digno da população brasileira.

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