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Dilma não tomará medidas de impacto, avalia Pimentel

Maurício Savarese

Enviado especial do UOL Notícias<BR>Em Brasília

03/11/2010 12h58

Amigo da presidente eleita Dilma Rousseff desde os anos 60, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel surpreendentemente não teve o nome incluído entre os líderes da equipe de transição de governo. Mas trabalhará nela, bem ao lado do deputado Antonio Palocci (PT-SP), e terá influência no Palácio do Planalto. Para ele, a discrição dominará as ações da ex-companheira de guerrilha nos próximos meses. 

Candidato derrotado ao Senado por Minas Gerais, o petista Pimentel conheceu Dilma no movimento estudantil da capital mineira. Assim como a sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi preso em 1970 e ficou três anos na cadeia. No PT, é visto como moderado e tem diálogo com a oposição: ajudou a eleger o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), com a ajuda de Aécio Neves (PSDB). 

“Não vejo a Dilma anunciando medidas para causar impacto, medidas que não estejam aliadas com a continuidade do governo Lula”, disse Pimentel ao UOL Notícias. “O espírito dos próximos meses deve ser de tranqüilidade mineira na condução dos assuntos do próximo governo, por mais que haja gente interessada em cavar um espaço aqui ou em derrubar outra pessoa ali. A Dilma não será afobada.” 

O petista afirma que trabalhará na equipe de transição na parte técnica, ligada a Palocci. Envolvido no início do ano em suspeitas de tentativa de compra de um dossiê com dados sigilosos de tucanos ligados a José Serra, Pimentel não figurou na lista de aliados de Dilma que comandarão a transição. “Não preciso ter meu nome citado ali para saber que vou trabalhar bastante nesse período de mudança de governo”, disse. 

Dilma divulgou na terça-feira (2) que Palocci, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, o secretário-geral do partido, José Eduardo Cardozo, e o vice-presidente eleito, Michel Temer, comandarão o grupo de transição. Essa equipe, disse a petista, será ampliada para cerca de 30 pessoas, incluindo Pimentel e membros de legendas que ajudaram na vitória da ex-ministra-chefe da Casa Civil. 

Pontes
Pimentel afirmou que não conversou com o amigo Aécio desde o dia do velório do pai do tucano, logo após o primeiro turno das eleições. Mas descartou a tese de aliados de Serra de que Dilma venceu no segundo maior colégio eleitoral por conta da suposta falta de empenho do ex-governador mineiro. “Não vou ficar comentando sobre eles, que têm problema demais para resolver, mas eles não perderam por isso.” 

Já com Serra, há sinal de incômodo entre os governistas. Apesar de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ter definido o resultado por volta das 20h de domingo (31), o tucano só telefonou para Dilma uma hora depois, quando ela decidiu deixar de esperar pela ligação e foi para um hotel de Brasília para fazer seu primeiro pronunciamento pela vitória. O ex-governador paulista só admitiu a derrota mais tarde. 

“Foi necessário a Dilma telefonar de volta para que eles pudessem conversar, de forma bastante protocolar, quando ela já estava no caminho para encontrar Lula no Palácio da Alvorada”, disse Pimentel. “Ela não vai guardar ressentimento, a vida segue. Mas realmente faltou delicadeza, em especial depois de uma campanha que algumas vezes baixou o nível conosco.” 

Sem comentar sobre se tem chance de ocupar cargos no ministério de Dilma – petistas mineiros o vêem como potencial ministro-chefe da Casa Civil ou do Desenvolvimento Social -, Pimentel afirmou que o governo Dilma só começará a ganhar feição depois de ela voltar de uma viagem com Lula a Seul. Na capital sul-coreana, haverá em 11 e 12 de novembro uma reunião do G20, com países ricos e em desenvolvimento. 

“Vou descansar uns dias, porque o segundo turno em Minas foi muito forte, e na semana que vem todos esses temas vão tomar forma”, disse. Pimentel admitiu que houve tensão entre PT e PMDB nas eleições mineiras e que a presença do candidato derrotado ao governo, Hélio Costa, no primeiro pronunciamento de Dilma, serviu para “arrefecer o clima”. 

Na eleição mineira, vencida pelo governador Antonio Anastasia (PSDB), Hélio foi derrotado no primeiro turno e atribuiu parte do fracasso à falta de empenho do PT de Pimentel, que, no início do ano, pleiteava disputar o Palácio da Liberdade, mas acabou demovido por influência de Dilma e de Lula. “Minas não será problema para o PMDB e o PT se ajustarem na aliança governista, a questão foi superada”, afirmou.

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