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Política

Nordeste é única região onde miséria caiu em 2013; Sudeste tem maior alta

Carlos Madeiro

Do UOL, em Maceió

06/11/2014 15h47

A região Nordeste foi a única das cinco do Brasil que manteve o ritmo de queda dos últimos 10 anos e conseguiu reduzir o número de pessoas abaixo da linha da extrema pobreza em 2013, segundo dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Mesmo sendo a única a seguir a curva descendente desde 2003, a região ainda concentra mais da metade dos indigentes do Brasil e é a única que tem percentual de dois dígitos de pessoas vivendo abaixo da linha da extrema pobreza.

A classificação do Ipea leva em conta o número de pessoas em domicílios com renda domiciliar per capita inferior à linha de extrema pobreza. “Essa linha é uma estimativa do valor de uma cesta de alimentos com o mínimo de calorias necessárias para suprir adequadamente uma pessoa, com base em recomendações da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) e da OMS (Organização Mundial de Saúde)”, informa o Ipea.

A série é calculada a partir da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No ano passado, o número de pessoas em situação de miséria aumentou de 10,08 milhões, em 2012, para 10,45 milhões.

Foi o primeiro avanço desde 2003, ano em que se iniciou o primeiro governo petista, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Média nordestina ainda é o dobro

Segundo os dados do Ipea, em uma década o número de miseráveis no Nordeste caiu a quase um terço. Em 2003, eram 15,5 milhões, contra 5,8 milhões no ano passado. O número representa, hoje, 10,5% da população da região. A média nacional é de 5,2%, ou seja, menos da metade da nordestina.

O ritmo de redução do Nordeste é maior que as demais regiões. Dez anos antes, os miseráveis ou indigentes do Nordeste eram 59% do total brasileiro. Hoje, as famílias nordestinas em extrema pobreza representam 56% do país.

Boa parte da saída da miséria se deve ao programa Bolsa Família. Na região, 7 milhões de famílias recebem o benefício -- mais da metade dos contemplados estão na região.

Outro fator é que a região foi a que mais gerou empregos formais, em termos proporcionais. Em janeiro de 2003, eram 4,8 milhões de nordestinos trabalhando com carteira assinada, enquanto no final de 2013 eram 8,9 milhões. Some-se a isso o aumento do salário mínimo acima da inflação.

Mesmo com o bom resultado, os Estados com maior proporção de miseráveis ou indigentes ainda estão no Nordeste, com destaque para o Maranhão -- pior colocado no ranking, onde 17,2% das pessoas vivem nessa condição -- e Alagoas –-12,3%.

Crescimento nas demais regiões

Em contramão ao Nordeste, todas as demais regiões do país encerraram um ciclo de queda e registraram aumento de pessoas abaixo da linha extrema de pobreza.

No Sudeste, o cordão de pessoas na miséria ganhou 328 mil novos integrantes. No Centro-Oeste, foram mais 82 mil. O Norte teve 32 mil a mais e o Sul ganhou 23 mil miseráveis.

Mais da metade desse crescimento deve-se ao aumento de pessoas nessa condição em São Paulo. Entre 2012 e 2013, o número de indigentes no maior Estado do Brasil saltou de 826 mil para 1,04 milhão. Em números absolutos, foi o maior crescimento do país. Mesmo assim, a média de indigentes no Estado é de 2,4%, menos da metade da nacional.

Estados com maior % de miseráveis na população

  • Maranhão

    17,29%

  • Alagoas

    12,34%

  • Ceará

    10,56%

  • Bahia

    9,96%

  • Amazonas

    9,70%

  • Acre

    9,33%

  • Pernambuco

    9,32%

  • Piauí

    9,13%

  • Pará

    8,40%

  • Paraíba

    8,17%

  • Amapá

    7,59%

  • Rio Grande do Norte

    7,40%

  • Tocantins

    6,31%

  • Sergipe

    6,13%

  • Roraima

    4,98%

  • Rondônia

    4,77%

  • Mato Grosso

    3,56%

  • Rio de Janeiro

    3,45%

  • Espírito Santo

    3,18%

  • Rio Grande do Sul

    2,71%

  • Minas Gerais

    2,45%

  • São Paulo

    2,4%

  • Mato Grosso do Sul

    2,22%

  • Goiás

    2,12%

  • Distrito Federal

    2,12%

  • Paraná

    1,95%

  • Santa Catarina

    1,55%

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