Processo de impeachment

Mujica diz que impeachment é 'jogo irresponsável' que 'paralisa o Brasil'

Do UOL, no Rio

O ex-presidente do Uruguai José Mujica classificou o processo de impeachment que corre na Câmara dos Deputados contra a presidente Dilma Rousseff como "jogo irresponsável" em um vídeo publicado nesta sexta-feira (15) pelo Palácio do Planalto. A crise no país, diz Mujica, tem paralisado o Brasil e as nações vizinhas.

Segundo o uruguaio, as pessoas que pedem o afastamento da presidenta não perceberam o problema a que estão expondo o Brasil e toda a América Latina. "Que estejam conscientes do mal em que está metido o Brasil e das consequências não só para o Brasil, mas para todos os latino-americanos", afirmou. "Parecem que não se dão contam de esse é um jogo, um jogo irresponsável que paralisa o Brasil e paralisa todos os vizinhos, porque o Brasil é muito importante no continente."

Na madrugada desta sexta-feira (15), o Supremo Tribunal Federal rejeitou as ações da Advocacia-Geral da União e do deputado federal Paulo Teixeira (PT) e manteve a votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no plenário da Câmara dos Deputados para este domingo (17). As ações pediam a anulação do parecer do relator da Comissão de Impeachment, Jovair Arantes (PDT) e, como consequência, a suspensão do processo contra Dilma.

Os defensores do impeachment consideram que Dilma cometeu crime de responsabilidade ao autorizar supostas manobras contábeis, as tais pedaladas fiscais, e a acusam de não ter tomado medidas mais duras contra a corrupção na Petrobras quando fazia parte do conselho da estatal.

Já quem é contra o impedimento da presidente diz que as pedaladas não configuram crime, uma vez que o orçamento foi aprovado pelo Congresso e o atraso do repasse de dinheiro a bancos públicos, por exemplo, é prática comum em todas as esferas do Poder Executivo. Assim, defendem que o processo em curso seria um "golpe". 

Além de Mujica, outros líderes latino-americanos também já se posicionaram sobre o impeachment de Dilma. Em março o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu a criação de uma frente internacional unida em defesa de Dilma Rousseff, e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já Evo Morales, governante da da Bolívia, pediu ao colega Tabaré Vázquez, do Uruguai, país que exerce a presidência temporária da Unasul, que convoque uma reunião de cúpula de emergência no Brasil, para defender a presidente e Lula.

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, e a presidente do Chile, Michelle Bachelet, por sua vez, disseram acreditar que o Brasil tem uma democracia forte.  "Eu acredito que ela é uma mulher séria, honesta e responsável, e está fazendo seu melhor para o Brasil", afirmou Bachelet.

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