Maia defende atitude de Janot e diz esperar revisão de benefícios de delatores da JBS

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Foto: Agência Brasil

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu nesta terça-feira (5) a atitude do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em considerar rescindir a delação premiada de executivos da JBS e disse esperar uma revisão dos benefícios dos delatores, como os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da empresa frigorífica.

Para Maia, que afirmou não ter escutado ainda o conteúdo das gravações, a revelação dos grampos dos próprios delatores é "surpreendente". Ele disse acreditar que Janot tomará medidas "duras" ao final da investigação e ressaltou ser o que a sociedade espera.

Ontem, Janot informou que determinou a abertura de investigação para apurar a omissão de informações no acordo de colaboração premiada firmado por três dos sete delatores da JBS após a descoberta de novas gravações.

A delação dos empresários foi fundamental na abertura de inquérito contra o presidente da República, Michel Temer (PMDB), por suspeitas de corrupção passiva e obstrução de Justiça.

O procurador-geral afirmou que uma das frentes vai investigar a participação de Marcelo Miller, ex-procurador da República e ex-braço direito do próprio Janot, nas negociações para fechar a delação. Ainda segundo Janot, ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) foram citados nas conversas.

"Acho que ele [Janot] vai tomar as decisões duras como ele tem tomado ao longo do mandato dele como procurador-geral da República. [...] A minha opinião é, claro que é uma decisão dele, ele saberá avaliar, acho que ele vai tomar decisões duras em relação a essa relação do ex-procurador com a JBS, outras delações do setor privado em que ele participou de um lado, o próprio escritório em que ele foi trabalhar do outro. Tem muita nuvem ainda", declarou Maia, que é o presidente da República em exercício durante viagem de Temer à China.

Áudios com conteúdo gravíssimo foram obtidos, diz Janot

Questionado se a ação fortalece Temer e facilita a rejeição de uma eventual segunda denúncia contra o peemedebista pela PGR (Procuradoria Geral da República), Maia disse não saber.

"Não sei. Para você ver, ontem estávamos discutindo como é que ia ser a denúncia. Agora estamos discutindo a reorganização da delação da JBS. O Brasil é um país em que 12 horas tudo pode mudar", argumentou.

Questionado se já havia conversado com Temer, Maia limitou-se a dizer "E eu sei lá da China?".

O presidente em exercício tratou de ressaltar que a população defende as investigações que apuram a conduta de membros do Executivo e do Legislativo, mas ficou sem entender os benefícios recebidos pela JBS em troca das informações.

"Acho que essa gravação pode reorganizar os benefícios que foram aceitos pela PGR aos delatores. Acho que é nisso que a PGR está avançando", falou, ao acrescentar que também não se pode "culpar" a PGR por informações que não continha.

Para Maia, "agora é muito fácil avaliar" se houve um "açodamento" e se a JBS criou relações profundas em muitos Poderes.

Sobre a citação de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), o deputado do DEM defendeu com veemência que ninguém está envolvido com ações duvidosas. Isso porque, de acordo com áudios vazados na imprensa, Joesley e o lobista Ricardo Saud teriam citado ministros da Corte.

"Não tem ninguém envolvido. Os ministros do Supremo estão citados em uma conversa entre dois irresponsáveis. Pelo amor de Deus, não é porque tem político citado que vamos querer caracterizar problema no Supremo. De forma nenhuma", disse.

Apesar dos fatos novos, Maia afirmou que a Câmara dos Deputados continuará trabalhando normalmente e avançará na reforma da Previdência e na reforma política. Ele preferiu não comentar se a base aliada conseguirá uma votação mais expressiva de agora em diante.

"Evidente que neste mato tinha coelho", diz vice-líder

Nesta terça, o vice-líder do PMDB na Câmara e um dos principais auxiliares de Temer na Casa, deputado Carlos Marun (MS), disse na China, onde está com a comitiva presidencial, que era "evidente que neste mato tinha coelho", ao se referir ao ex-procurador Marcelo Miller.

Em 23 de maio, Marun enviou representação a Janot pedindo que se investigasse a atuação de Miller no escritório de advocacia que defende a JBS e sua participação no acordo de colaboração.

"Hoje não deixa de se apossar de mim um certo sentimento de paz de espírito e de felicidade. [...] Antes tarde do que nunca, o procurador Janot começa a reconhecer a existência de erros no seu trabalho. Os prejuízos resultantes do seu açodamento são imensos e irrecuperáveis", declarou.

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