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Política

'Estão se vitimizando', diz Bolsonaro sobre saída da imprensa do Alvorada

Do UOL, em São Paulo

26/05/2020 18h16Atualizada em 26/05/2020 23h26

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse hoje que a decisão por parte de alguns veículos de suspender temporariamente a cobertura diária no Palácio da Alvorada por falta de segurança é "vitimismo". O presidente voltou a lembrar da facada que sofreu em setembro de 2018, argumentando que à época a mídia "não disse nada".

"Estão se vitimizando. Quando levei a facada, não falaram nada. Não vi ninguém da Folha falando 'quem matou Bolsonaro?'. Se for pegar o número de horas que a Globo deu para Marielle [Franco, vereadora assassinada em março de 2018] e para o meu caso, acho que dá 100 para 1, mas tudo bem", disse o presidente a apoiadores. A interação foi transmitida nas redes sociais de Bolsonaro.

Na noite de hoje, o presidente usou sua conta no Twitter para ironizar os veículos de imprensa que suspenderam a cobertura no Palácio da Alvorada.

Citando Globo e Folha, Bolsonaro citou que essas e empresas "semelhantes" decidiram não participar das entrevistas no palácio para "distorcer que falo", e que "a partir de agora apenas inventarão". Bolsonaro ainda usou a expressão "que pena", acompanhada de um símbolo de positivo.

O UOL, o jornal Folha de S. Paulo, o Grupo Globo, o Metrópoles e a TV Band decidiram retirar os jornalistas do chamado "curralzinho", espaço normalmente destinado à imprensa na frente do Alvorada pela falta de segurança no local. Jornalistas vêm sendo hostilizados frequentemente por apoiadores do presidente, que xingam e exigem a saída dos profissionais daquele local.

O presidente, que constantemente reclama da cobertura da mídia sobre o governo, já chamou a Folha de "canalha" e mandou um repórter do Estado de S.Paulo calar a boca, ainda afirmou que "nunca teve um ato seu para constranger a mídia" e que "nunca perseguiu ninguém".

"O que quero da mídia é que ela venda a verdade, para o bem da própria mídia", acrescentou.

Fim da quarentena

Bolsonaro também voltou a defender o fim das políticas de isolamento social, fundamentais para conter o avanço do novo coronavírus, e a "volta à normalidade". Ele repetiu que o Brasil hoje enfrenta dois problemas, a covid-19 e o desemprego, e que o governo federal está disposto a começar a reabertura, ainda que o País não tenha conseguido controlar a pandemia.

O Brasil registra, segundo os últimos dados do Ministério da Saúde, mais de 391 mil casos confirmados e 24 mil mortes por covid-19.

"Estamos perdendo vidas, sim, mas não tem que ter pânico. A economia vai matar muito mais no futuro. Vai dar polêmica amanhã, mas eu tenho a obrigação de falar a verdade. O pobre está ficando miserável e a classe média está ficando pobre. Os governadores e prefeitos têm que buscar a volta à normalidade o mais rápido possível", opinou.

O presidente ainda comentou sobre a intenção de reabrir a fronteira com o Paraguai. O vizinho, porém, "acha que ainda não é o caso", segundo Bolsonaro. Além disso, ele citou Uruguai, que também não acredita ser o momento de reabrir a fronteira com o Brasil. "Pediu para esperar mais", explicou.

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