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Política

'Somos solidários à Rússia', diz Bolsonaro a Putin, sem citar a Ucrânia

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

16/02/2022 08h30Atualizada em 16/02/2022 12h31

Com ajuda de um tradutor, o presidente Jair Bolsonaro (PL) conversou hoje pela manhã com o líder russo, Vladimir Putin, no Kremlin, sede do governo local. O brasileiro disse "ser solidário à Rússia", mas não explicou o contexto da solidariedade. Não houve menção ao clima de tensão na fronteira com a Ucrânia.

O assunto preocupa a comunidade internacional em razão da possibilidade de um conflito armado —guerra que pode gerar instabilidades políticas na Europa e no mundo. Apesar de recuos nos últimos dias por parte da autoridade russa, há ainda uma ampla presença militar ostensiva na região fronteiriça com a Ucrânia, de acordo com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Segundo Bolsonaro, a visita à Rússia é "um retrato para o mundo" que mostra que ambos podem "crescer muito nas relações bilaterais".

Antes de chegar a Moscou, Bolsonaro foi criticado pela decisão de manter a viagem à Rússia em meio a conflito iminente com a Ucrânia, devido a divergências políticas entre Putin e os gigantes ocidentais.

Diplomatas norte-americanos tentaram pressionar o governo brasileiro a cancelar a visita, mas o chefe do Executivo federal rechaçou essa hipótese, sob argumento de que a viagem nada teria a ver com o clima de tensão e a possibilidade de uma guerra na Europa. Disse ainda ser a favor da "paz mundial".

No breve diálogo com Putin, Bolsonaro afirmou que o Brasil tem muito a colaborar com a Rússia nas áreas de defesa, petróleo, gás e agricultura.

"Temos muito a colaborar em várias áreas, como defesa, petróleo e gás, agricultura. As reuniões estão acontecendo. Tenho certeza que que até mesmo a passagem por aqui é um retrato para o mundo que podemos crescer muito nas nossas relações bilaterais."

Indulto ao motorista Robson

Bolsonaro também aproveitou para agradecer pessoalmente a Putin pelo indulto concedido a Robson Oliveira, em maio do ano passado. O brasileiro estava detido desde março de 2019.

A prisão ocorreu porque Oliveira, que atuava como motorista de um jogador de futebol de um clube de Moscou, entrou no país europeu portando um remédio controlado. O medicamento é legal no Brasil, mas proibido em território russo.

Putin, por sua vez, destacou que, apesar "de todas as restrições no ano passado" em razão dos efeitos da pandemia da covid-19, Brasil e Rússia aumentaram o comércio bilateral em 87%.

"É uma alegria recebê-lo, senhor presidente. Espero que esse encontro seja produtivo. É muito importante porque o Brasil é o principal parceiro nosso na região da América Latina. Seja bem-vindo."

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