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Você pode ter zika sem saber: só 1 em cada 5 pessoas manifesta sintomas

Camila Neumam e Carlos Madeiro

Do UOL, em São Paulo

10/12/2015 06h00

A confirmação de que o vírus da zika está relacionado com a microcefalia (má-formação do cérebro) em bebês e pode aumentar as chances de doenças neurológicas em adultos vem causando preocupação na população. O UOL consultou infectologistas e virologistas e o Ministério da Saúde para responder as principais dúvidas sobre o assunto.

O vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite também os vírus da dengue e da febre chikungunya, e tem também sintomas parecidos com os da dengue, mas intensidades diferentes. No entanto, apenas 20% dos infectados apresentam os sintomas. 

Diagnóstico 

Por enquanto, o diagnóstico é feito normalmente pelos sintomas (clínico). O método, no entanto, é impreciso visto que dengue, zika e chikungunya têm sintomas muito parecidos. Os pesquisadores estão desenvolvendo testes sorológicos eficientes, que possam identificar se a pessoa já teve o vírus da zika pelos anticorpos do seu corpo. Até o momento, os que temos são imprecisos. 

É possível realizar um exame genético para confirmar a presença do vírus no sangue dos pacientes. Contudo, esse exame é caro, demorado e restrito, pois só é capaz de detectar o vírus nos primeiros dias de sintomas.

Saiba mais sobre zika e microcefalia

  • Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas

    O que é o vírus da zika?

    A zika é um vírus do gênero Flavivirus transmitido pela picada no mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite os vírus da dengue e do chikungunya. Há duas linhagens da zika, uma de origem africana e outra de origem asiática, a última predominante no Brasil

  • Getty Images

    Quais são os sintomas da zika?

    Apenas um em cada cinco pessoas contaminadas apresentam sintomas: dores e manchas pelo corpo, olhos vermelhos e febre. Na zika, a vermelhidão e as manchas no corpo são mais acentuadas, na dengue as dores no corpo costumam ser mais fortes e no chikungunya há fortes dores articulares

  • Getty Images

    A zika é passada pelo sexo?

    A transmissão principal do vírus é pela picada do mosquito Aedes aegypti. Mas, houve não só a identificação do vírus no sêmen como os EUA registraram um caso de uma possível transmissão por relação sexual por uma pessoa que contraiu o vírus em viagem à Venezuela. Estudos estão sendo feitos para comprovar esse tipo de transmissão, mas, enquanto não há provas cientificas, os EUA pediram o uso de preservativos às pessoas que tenham viajado recentemente para regiões com circulação do vírus Leia mais

  • Marco Antonio Teixeira / UOL

    Zika é transmitida pela urina e saliva?

    Um estudo feito pela Fiocruz detectou a presença do vírus ativo, ou seja, com potencial de infecção, na saliva e urina em dois pacientes com sintomas compatíveis com a doença. A transmissão, no entanto, ainda não foi confirmada. A pesquisa sugere que outras formas de transmissão precisam ser investigadas.

  • iStock

    Tem tratamento para a zika?

    Não. Assim como na dengue, os sintomas são tratados com remédios para dor e para diminuir a febre, já que os sintomas somem em sete dias, em média

  • Venilton Kuchler/ANPr/Divulgação

    Como prevenir a zika?

    Elimine focos de água parada em casa e no trabalho, onde as larvas do "Aedes aegypti" crescem e viram mosquitos. Use mosquiteiros, calças e mangas compridas em locais com muitos mosquitos e permita a entrada de agentes da vigilância sanitária para destruir focos com inseticidas e larvicidas Leia mais

  • Moacyr Lopes Júnior/Folhapress

    Já tive dengue. Tenho menos chance de ter zika?

    Por serem vírus diferentes, há relatos de pessoas que contraíram tanto a dengue como a zika. Até o momento, os cientistas acreditam que o humano não fica imune à zika depois de contrair dengue. Ainda não se sabe se a pessoa se torna imune ao vírus após contrair zika uma vez

  • Edson Silva/ Folha Imagem

    Existe uma vacina contra a zika?

    Por enquanto não. O processo para a criação de uma vacina é muito longo e pode levar anos. Brasil e Estados Unidos fecharam um acordo para acelerar a produção de uma vacina conjunta contra o vírus da zika. Mas, no cenário mais otimista, o produto estará no mercado somente em três anos. Leia mais

  • Thinsktock

    Crianças e adultos com zika podem sofrer sequelas neurológicas?

    Já foi comprovada que a infecção pela zika em gestantes tem associação com casos de microcefalia e lesões neurológicas nos fetos. O vírus também está associado ao aumento de casos de síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune que provoca paralisia muscular. Cientistas estudam a relação do vírus com outras doenças do sistema nervoso, como a mielite e a encefalite Leia mais

  • Shutterstock

    Há exames que comprovam a zika?

    O exame mais utilizado para diagnosticar a zika é o PCR (Reação de cadeia de polimerase), usado para detectar dengue no material genético e que pode indicar zika por exclusão. Neste exame, a zika só é detectada em até cinco dias após a contaminação. O teste no entanto é caro e restrito. A Anvisa liberou em fevereiro o registro de dois exames que dizem detectar com apenas um teste os vírus de dengue, chikungunya e zika Leia mais

  • Reprodução/Ministério da Saúde

    Os casos de microcefalia estão relacionados com vacinas?

    Boato. De acordo com a Sociedade de Pediatria de São Paulo, as vacinas de rubéola nunca são aplicadas em gestantes. Nenhuma vacina aplicada em gestantes contém vírus ou agentes vivos, segundo o Ministério da Saúde Leia mais

  • Guga Matos/ JC Imagem/ AE

    O vírus da zika é responsável pelo aumento de casos de microcefalia?

    O Ministério da Saúde confirmou a associação entre o vírus da zika e o surto de microcefalia na região Nordeste, após resultado de exame de um bebê cearense, que nasceu com microcefalia e outras más-formações congênitas, ter apresentado o vírus em amostras de sangue e tecidos. A situação é inédita na pesquisa científica mundial e ainda é estudado se outros fatores influenciam para a má-formação

  • Getty Images

    O que é a microcefalia?

    A microcefalia é uma má-formação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Neste caso, os bebês nascem com o tamanho da cabeça menor que o normal, que habitualmente é superior a 32 cm. Nos casos estudados, ela geralmente vêm associada a lesões cerebrais, que acarretam problemas no desenvolvimento, com limitações para falar, andar, escutar, e ainda algum grau de deficiência intelectual Leia mais

  • Getty Images

    Quais as causas da microcefalia?

    A má-formação congênita pode ser efeito de uma série de fatores de diferentes origens, como uso de substâncias químicas e agentes biológicos (infecciosos), como bactérias, vírus e radiação durante a gravidez

  • Thinkstock

    Como as grávidas podem se prevenir contra a zika?

    Use repelentes, roupas de manga comprida e evite acumular água parada em casa ou no trabalho. Não use remédios sem prescrição e faça um pré-natal qualificado, com todos os exames previstos. Procure um médico se sentir qualquer um dos sintomas apontados e se pretende viajar para áreas endêmicas

  • Getty Images

    Qual período da gestação é mais suscetível à ação do vírus?

    Um estudo feito com gestantes do Rio de Janeiro encontrou fetos com lesões neurológicas após infecção em diferentes estágios da gravidez. Por isso, o cuidado para não entrar em contato com o mosquito Aedes aegypti é para todo o período da gestação

  • Shutterstock

    Qual o tratamento para a microcefalia?

    Não há tratamento específico. Existem ações de suporte que podem auxiliar no desenvolvimento do bebê e da criança. Como cada criança desenvolve complicações diferentes --entre elas respiratórias, neurológicas e motoras-- o acompanhamento por diferentes especialistas vai depender de suas funções que ficarem comprometidas. No SUS (Sistema Único de Saúde) estão disponíveis serviços de atenção básica e de reabilitação, além de exames e colocação de órteses e próteses

  • Reprodução/Daily Mail

    É possível detectar lesões neurológicas apenas com ultrassonografia?

    Sim. No entanto, somente o médico que está acompanhando a grávida poderá indicar o método de imagem mais adequado

  • Reprodução/Stuffyoushouldknow

    Quantas pessoas que têm zika desenvolvem Guillain-Barré?

    Segundo a Fiocruz, em áreas onde se tem documentado epidemia de zika (como na Polinésia Francesa e no Brasil), houve um aumento de pessoas com a Síndrome de Guillain-Barré. No entanto, ainda não foi estabelecida uma relação causal direta entre a infecção com o vírus e SGB

  • Reprodução/Youtube

    Como é feito o diagnóstico da microcefalia?

    Após o nascimento do recém-nascido, os profissionais fazem uma medição da cabeça do bebê, que deve ser repetida 24 horas após o nascimento. A medição serve como indício de lesões neurológicas na criança, essas são confirmadas por exames de imagens, como o ultrassom ou a tomografia

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