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Sem aulas para alunos e possível folga aos pais: as medidas da Itália para conter o coronavírus

Vendedor irregular de máscaras em Roma na terça-feira - EPA
Vendedor irregular de máscaras em Roma na terça-feira Imagem: EPA

04/03/2020 16h28

País europeu mais afetado pela doença viu o número de casos e mortos subir; escolas e universidades ficarão fechadas até 15 de março.

O governo italiano anunciou o fechamento de todas as escolas e universidades a partir desta quinta-feira (05/03) até o dia 15 de março, dentro do esforço para tentar conter o surto de coronavírus no país, onde o número de mortos aumentou consideravelmente nas últimas 24 horas.

A decisão veio após uma reunião em que a cúpula do governo discutiu uma série de medidas para tentar controlar a disseminação da covid-19, doença causada pelo vírus.

Segundo o jornal La Reppublica, a vice-ministra da Economia, Laura Castelli, afirmou que governo está estudando medidas para permitir que os pais tirem folga do trabalho sem dedução salarial durante esse período.

A Itália é o país da Europa mais afetado pela doença, com 107 mortes até esta quarta-feira (04/03) e mais de 3 mil pessoas infectadas. Uma das preocupações é de que o sistema de saúde do país não dê conta do aumento no avanço da epidemia — o número de mortos, que era de 13 no fim de semana, subiu para 79 na terça-feira e para 107 nesta quarta.

O número de infectados contabilizados oficialmente cresceu de 2,5 mil na terça para cerca de 3.090 na quarta.

bbcit - EPA - EPA
Mulher com máscara e álcool gel em Roma na terça-feira
Imagem: EPA

Apertos de mão

Segundo uma autoridade de defesa civil ouvida pela agência France Presse, a maioria dos que morreram é de pacientes com idades entre 80 e 90 anos que já sofriam de doenças prévias.

Os casos italianos se concentram sobretudo na região da Lombardia, onde fica Milão, e em áreas vizinhas ao norte, perto das cidades de Bolonha e Veneza. Mas 21 das 22 regiões italianas já têm registros de casos e, também segundo a France Presse, a percepção é de que o vírus está lentamente se aproximando do sul italiano, mais pobre e menos desenvolvido que o norte.

"Espero que os estudantes possam voltar às aulas em breve", afirmou a ministra da Educação, Lucia Azzolina, afirmando que a suspensão das aulas foi decidida após consultas com um comitê científico.

Um rascunho de decreto oficial obtido pela agência Reuters indicava que as autoridades italianas pretendiam orientar que as pessoas evitem cumprimentos com beijos ou apertos de mão, na tentativa de limitar o avanço do coronavírus, mas isso não foi confirmado oficialmente até o momento.

Até 3 de março, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), havia 90,8 mil casos do coronavírus registrados em todo o mundo, sendo mais de 80 mil na China e cerca de 10,5 mil nos demais países. A China totalizava até terça 2,9 mil mortes pela doença, e há mais cerca de 200 mortes no restante do mundo.