Cadastro em posto e agentes que moram nos bairros são armas antifraude em vacinação

Marcela Paes

Em São Paulo

  • Rafael Arbex/Estadão Conteúdo

Equipes de agentes de saúde da Prefeitura de São Paulo começaram na tarde de terça-feira, 23, a distribuir senhas para vacinação da febre amarela. Na região da UBS Carlos Gentile, na Cidade Tiradentes, zona leste, a distribuição foi feita por sete equipes que paravam em casas e prédios da região.

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A família do auxiliar de escritório Jame Cleyton Ferreira foi uma das primeiras a receber uma das senhas. Ele, a mulher e os dois filhos receberam senhas numeradas com a data e o horário em que deveriam comparecer à UBS. "Nós vamos todos no dia 25 na parte de manhã. Foi bom porque é feriado e não vamos trabalhar", diz Ferreira.

De acordo com a agente Cátia Aparecida da Silva, o controle de senhas distribuídas em cada casa é baseado no número de moradores cadastrados por família no respectivo posto. Segundo as equipes, a maioria dos agentes mora na região e isso dificulta qualquer tipo de fraude. "Se um morador não está cadastrado no posto, mas vive lá, nós damos a senha."

A artesã Maria de Lourdes Yamamoto recebeu a visita da equipe da Prefeitura, mas preferiu retirar a senha no posto de saúde. Por tomar remédio de uso contínuo, ela vai passar por uma avaliação médica antes de tomar a dose. Mesmo assim, retirou senhas para o filho, a nora e o neto. A expectativa da UBS Carlos Gentile é distribuir 1,5 mil senhas por dia de campanha. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Vacinação começa quinta, com senha em domicílio

A Prefeitura de São Paulo passará a distribuir senhas nas casas dos paulistanos na próxima fase da campanha de vacinação, que foi antecipada para quinta-feira (25). A nova fase da campanha, que terá somente doses fracionadas, tem como objetivo imunizar os moradores de 20 distritos com prioridade nas zonas leste e sul da capital. Ao contrário do que vinha ocorrendo até agora, não serão distribuídas senhas nas unidades de saúde.

Agentes comunitários de saúde e integrantes de associações de bairro passarão nas casas dos paulistanos dessas regiões entregando as senhas. O morador poderá escolher entre dois ou três dias diferentes para receber a imunização.

As senhas começarão a ser entregues nesta terça-feira (23). O site da secretaria trará a lista de endereços por onde os representantes da gestão passarão naquele dia, entregando. Caso o morador não esteja em casa no momento da passagem do agente, poderá procurar a Unidade Básica de Saúde de referência de seu bairro, com comprovante de endereço, para ser imunizado.

Os paulistanos que não moram nesses 20 distritos, mas que vão viajar para área de risco, deverão procurar uma das 17 unidades de referência em saúde do viajante para tomar a vacina. Nessas unidades, será oferecida a vacina fracionada para quem tiver viagem marcada para dentro do Brasil e a dose padrão para os viajantes internacionais.

Na zona norte, onde todos os postos de saúde até agora estão oferecendo a vacina, a oferta do imunizante passará a ser restrita a poucas unidades, somente para os moradores que ainda não foram protegidos. Nesses casos, não haverá distribuição de senha nas residências.

Após finalizar a campanha nos 20 distritos das zonas sul e leste, a secretaria fará outras três fases de imunização, nos meses de março, abril e maio. Em cada uma, a previsão é vacinar cerca de 2 milhões de pessoas. A previsão do secretário é de que todos os paulistanos estejam imunizados até o meio do ano.

 

Como funciona o fracionamento? 

No fracionamento da vacina da febre amarela, a mesma vacina é utilizada, só que em dose menor. A diferença está no volume e no tempo de proteção. A dose padrão possui 0,5 ml e protege por toda a vida, enquanto a dose fracionada tem 0,1 ml e protege por oito anos, segundo estudos realizados pelo Instituto Biomanguinhos, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), fabricante da vacina.

A estratégia de fracionamento da vacina é recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) quando há aumento de casos de febre amarela silvestre de forma intensa, com risco de expansão da doença em cidades com elevado índice populacional e que não tinham recomendação para vacinação anteriormente. 

Quem deve tomar a dose fracionada?

A vacinação fracionada é recomendada para pessoas a partir dos dois anos de idade. Mas não é indicada para crianças de 9 meses a dois anos, para pessoas com condições clínicas especiais (como vivendo com HIV ou em período final de quimioterapia, por exemplo) e gestantes.

Viajantes internacionais, que devem apresentar comprovante de viagem no ato da vacinação, também precisam tomar a dose integral. Durante a campanha de vacinação, todos esses públicos receberão a dose normal.

Vale ressaltar que a vacina contra a febre amarela é contraindicada para pacientes em tratamento de câncer, pessoas com imunossupressão e pessoas com reação alérgica grave à proteína do ovo. A vacinação contra febre amarela impede a doação de sangue por um período de quatro semanas. (*Com informações do Estadão Conteúdo)

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