Bem-estar

Autoestima baixa pode afetar a saúde

Chris Bueno

Do UOL, em São Paulo

Quando você se olha no espelho, gosta do que vê? Se a resposta for afirmativa – mesmo que você queria fazer algumas mudanças em sua aparência ou personalidade – então você está bem com sua autoestima. Mas se a resposta for negativa, então, ela está muito baixa. E isso pode acabar afetando sua saúde.

Pessoas com uma imagem positiva de si mesmas (autoestima elevada) conseguem se relacionar melhor com outras, têm mais facilidade de fazer amizades e enfrentar desafios e, portanto, conseguem lidar melhor com situações estressantes.

Por outro lado, pessoas com uma imagem negativa de si mesmas (autoestima baixa) tendem a ter mais dificuldades para se relacionar e para lidar com desafios, sentem-se menos capazes de resolver problemas, além de menos confiantes e seguras. Logo, sofrem mais com o estresse e podem até mesmo apresentar sintomas físicos e psicológicos.

“Essa percepção negativa de si mesmo pode desencadear sintomas como pressão arterial alta, problemas gastrointestinais, sentimentos de raiva, culpa e até depressão”, aponta Ana Maria Rossi, presidente do Isma-BR, associação brasileira integrante da International Stress Management-ISMA, voltada à pesquisa e ao desenvolvimento da prevenção e do tratamento de estresse no mundo.

Um estudo realizado pelo Centro Internacional para Saúde e Sociedade, de Londres, liderado pelo pesquisador Michael Marmot, enfatiza essa ligação direta entre autoestima e saúde. De acordo com a pesquisa, publicada no British Medical Journal em 2003, pessoas com autoestima muito baixa têm uma diminuição da atividade do sistema imunológico e, consequentemente, um risco maior de desenvolver doenças como infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVC), doenças respiratórias e gastrointestinais.

Marmot também afirma que essas pessoas, além de sofrerem mais com estresse e depressão têm menor disposição para fazer exercícios físicos ou manter uma dieta saudável. Sem contar uma tendência maior a abusar de bebidas alcóolicas, drogas e medicamentos que funcionam como desibinidores e calmantes.

Por outro lado, ter a autoestima num nível adequado contribui para a manutenção da saúde. “A pessoa que tem uma boa autoestima se cuida, se preocupa com sua saúde física e mental e apresenta atitudes que trazem benefícios para a vida”, explica Lara Luiza Soares de Souza, psicóloga do Hospital Albert Einstein.

10 Dicas para melhorar a autoestima

Busque a autoestima dentro de você. Banho de loja ou carro novo pode ser momentaneamente prazeroso, mas não recuperam a autoestima.
Procure o autoconhecimento. Quais são as suas qualidades? Seus pontos fortes? Quais são seus limites? Como isso o preocupa e o que faz diante desses limites?
Transforme os lamentos em ação. Estabeleça metas viáveis e vá atrás. Persevere e não se compare com ninguém.
Não tente atingir a perfeição e foque-se antes em atingir objetivo. Há quem fique paralisado na busca da perfeição.
Encare os erros como oportunidades para aprender. Aceite os seus erros como normais, porque fazem parte da experiência do humano, todo mundo os comete. Errar faz parte da aprendizagem e do crescimento pessoal.
Cultive a assertividade. A capacidade de expressar seus direitos, sentimentos e emoções sem hostilidade e levando em conta o direito do outro.
Desenvolva a empatia. Procure se colocar no lugar do outro.
Pare de ter pensamentos negativos acerca de si. Comece a pensar nas suas qualidades e nos aspectos positivos que ultrapassam as partes negativas. Quando der por si pensando negativamente, substitua esse pensamento por algo positivo sobre si.
Experimente novas atividades e novas abordagens para enfrentar os problemas.
Caso essas dicas lhe pareçam difíceis, não se envergonhe! Procure ajuda psicoterápica.
Fonte: Lara Luiza Soares de Souza, psicóloga do Hospital Albert Einstein

Hostilidade ou passividade

Uma pessoa com uma autoestima baixa se sente inadequada para enfrentar os desafios da vida, insegura para tomar decisões e com medo de não ser aprovada social e profissionalmente. Além disso, tende a levar “para o lado pessoal” críticas, sugestões, ou mesmo situações cotidianas, o que faz com que se sinta culpada e “azarada” (aquela sensação de “nada dá certo pra mim”).

Diante deste quadro, ela pode se tornar uma pessoa agressiva, que se sente ameaçada pelos outros e reage com um comportamento hostil, ou então passiva, que deixa de lado suas próprias necessidades e passa a viver segundo a expectativa dos outros, para conseguir aprovação alheia.

De acordo com Rossi: “Quando uma pessoa não se gosta, não se valoriza, ela pode ter um comportamento hostil, agressivo, justamente para se afirmar, ou então um comportamento passivo, pois não se julga merecedora de carinho e atenção, nem se acredita capaz de realizar determinadas tarefas”. Em casos extremos, a pessoa com autoestima muito baixa pode evitar o contato social e até se isolar.

Porém, pessoas com autoestima elevada também podem “balançar”. Este é o caso daquelas com autoestima adequada que ficam desempregadas e, na busca por um novo emprego, acabam se deparando com muitas recusas. O fracasso contínuo pode fazer com que comece a duvidar de si mesmo e da sua capacidade.

“Autoestima adequada não garante ausência de problemas, mas maior resistência ao insucesso. A pessoa tem melhores condições de lidar com ele, maior capacidade de resiliência, perseverança e enfrentamento”, diz Souza.

Elevando a estima

Segundo estudiosos, a autoestima é formada na infância, até os sete anos de idade. “As crianças formam sua autoestima a partir da maneira como são tratadas por pessoas importantes para elas, tais como pais, amigos e professores. A autoavaliação vai sendo construída de acordo com o valor que os outros lhe atribuem, expresso em afeto, elogios e atenção”, explica Souza.

Se a criança é sempre tratada como capaz pelo adulto, recebendo críticas positivas e podendo se expressar e dar sua opinião, então ela terá uma autoestima adequada. “Mas se a criança apenas recebe críticas negativas, não é ouvida ou consultada, não pode tomar decisões, é comparada constantemente com outras crianças, ressaltando suas imperfeições, então sua autoestima vai ficar muito prejudicada”, alerta Rossi.

Mas isso não significa que esse quadro seja permanente. É possível elevar a autoestima, mesmo em casos extremos. Segundo Souza, o primeiro passo é o autoconhecimento, buscando identificar as limitações reais e aquelas que a pessoa acabou criando, e procurando evidenciar pontos fortes e qualidades. “Redescobrir a autoestima é um processo longo, mas vale a pena”, afirma.

Para conseguir elevar a autoestima, ajuda muito ter um “grupo de apoio”, ou seja, amigos ou familares com quem a pessoa possa se sentir aceita e segura, e que lhe dê suporte para melhorar sua autoestima. Além disso, é possível buscar orientação em livros de autoajuda ou em terapias.  O importante é querer – e acreditar que pode – mudar.

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