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Paciente atingida por arpão pode ficar sem sequelas, diz médico

Do UOL

Em São Paulo

07/05/2013 18h23Atualizada em 16/05/2013 16h00

A moradora de Arraial do Cabo Elisangela Borborema Rosa, de 28 anos, vivenciou o que pareceu um milagre na noite da última segunda-feira (6). Segundo a família, ela estava na cozinha de sua casa quando foi atingida por um arpão de caça submarina que era manuseado pelo marido na sala.

O equipamento entrou pela mandíbula de Elisangela e a ponta ficou alojada na coluna cervical. Levada para um hospital de Arraial do Cabo, a paciente foi transferida em seguida para o Hospital Regional de Araruama. Lá, foi atendida por uma equipe multidisciplinar. Menos de 24 horas após a cirurgia, Elisangela passa bem e o prognóstico é de que ficará sem nenhuma sequela.

"Esse é o primeiro caso desse tipo que atendo aqui no hospital. A peculiaridade do acidente é que a ponta do arpão penetrou a região entre o canal anterior vertebral e o canal da medula. Caso o objeto atingisse apenas 1 centímetro para dentro, a paciente ficaria tetraplégica; se atingisse 1 centímetro para fora, alcançaria uma artéria que irriga o cérebro, levando-a à morte", explica o neurocirurgião Allan da Costa, que operou Elisangela.

Segundo o médico, somente nas próximas 48 horas será possível avaliar se a paciente ficará ou não com alguma sequela. "Ela está movimentando os dois lados, mas com pouca força no lado direito. Precisamos esperar a suspensão da sedação e retirar a traqueostomia para fazer uma avaliação completa. Se tudo der certo, ela terá alta em uma semana", conta o médico.

Outro caso 

Em março de 2009, outra vítima de um acidente com arpão foi atendida com sucesso em uma unidade da rede estadual de saúde. O pintor de automóveis Emerson de Oliveira Abreu teve a cabeça perfurada por um arpão enquanto praticava caça submarina. Um amigo, que o acompanhava de um barco, viu quando ele se feriu embaixo d'água e pediu ajuda. Bombeiros do Grupamento de Socorro de Emergência prestaram os primeiros-socorros e levaram o mergulhador para o Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, onde ele foi submetido a uma delicada cirurgia para a retirada da arma.

O arpão penetrou 25 centímetros da região frontal direita do cérebro do paciente. Na época, o médico que realizou a cirurgia afirmou que o paciente não perdeu a visão por milímetros. " A lança passou por trás do globo ocular, perto do nervo óptico. Havia muito edema na região orbital. O arpão passou perto da artéria que vasculariza o cérebro, a carótida. Se ela fosse atingida, dificilmente ele sobreviveria ", explicou neurocirurgião Manoel Moreira.

Foram 10 dias de internação sem a necessidade de uma segunda cirurgia. De lá pra cá, Emerson voltou a trabalhar e leva uma vida normal e produtiva. 

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