Pronto e equipado, hospital em Maceió está fechado há cinco anos

Aliny Gama

Do UOL, em Maceió

  • Reprodução

    UE (Unidade de Emergência) Dr. Armando Lages, em Maceió, que estaria pronta, mas sem funcionar

    UE (Unidade de Emergência) Dr. Armando Lages, em Maceió, que estaria pronta, mas sem funcionar

O HGE (Hospital Geral do Estado) Prof. Osvaldo Brandão Vilela, localizado no bairro Trapiche da Barra, em Maceió, completa cinco anos de funcionamento nesta segunda-feira (16). É nesta mesma data que a UE (Unidade de Emergência) Dr. Armando Lages, que deveria funcionar como um anexo ao HGE, também completa cinco anos fechada. A unidade entrou em reforma e nunca mais funcionou.

São 132 leitos que estão dispostos em enfermarias, unidade de queimados e UTI (Unidade de Terapia Intensiva) adulto e pediátrica, além de cinco novos centros cirúrgicos, que estão prontos – até revestidos com lençóis à espera de pacientes – mas, estão sem funcionar.

À época, a proposta do governo do Estado era colocar em seis meses a UE para funcionar reforçando o número de leitos de emergência do SUS ofertado à população, porém a reforma terminou e há cinco anos o local está fechado.

"Acho que estão esperando chegar perto da eleição ano que vem para colocar a Unidade de Emergência em funcionamento, pois muito tempo se passou e não justifica falta de equipamentos para ser inaugurada", disse um médico que trabalhava na UE e atualmente dá plantão no HGE.

A pedido dos entrevistados "por temer perseguições administrativas", o UOL não vai divulgar o nome deles.

A UE começou a funcionar em 1979. Sempre com problemas estruturais e superlotada, a unidade foi desativada para reforma quando o HGE foi inaugurado, em 2008. Segundo o governo de Alagoas, a unidade atendia cerca de 350 pessoas ao dia –-média de 11 mil pacientes por mês.

"Reconhecida pelo Ministério da Saúde como hospital referência para o atendimento de queimados, alta complexidade, em UTI e também em neurocirurgia, a UE prestou um serviço além de sua missão --atender traumas--, recebendo praticamente todos os casos clínicos do Estado", destacou em nota, o governo do Estado na página da internet da Sesau (Secretaria de Estado da Saúde).

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Superlotação

Enquanto as instalações da UE estão prontas e equipadas, o HGE, que é o maior hospital de emergência de Alagoas, tem seus corredores lotados de pacientes. Atualmente o hospital tem 278 leitos dispostos em quatro alas: vermelha, azul, amarela e verde – de acordo com a complexidade do estado de saúde do paciente.

Segundo estudo do CFM (Conselho Federal de Medicina), Alagoas perdeu 382 leitos do SUS (Sistema Único de Saúde) de 2011 até 2013.

O UOL entrevistou três médicos que trabalham no HGE.  Eles disseram que o maior problema do hospital é a superlotação e por consequência a deficiência no quadro de funcionários. Eles afirmaram que sofrem constantes perseguições da direção do hospital por cobrarem melhores condições de trabalho para atender os pacientes no HGE.

"Temos nossa ética de atender os pacientes de maneira eficaz, mas não temos condições de trabalho e não podemos reclamar porque sofremos perseguições da direção", disse o outro médico.

Contrariando o conceito principal do HGE, que era "minimizar a superlotação que ocorria praticamente todos os dias na Unidade de Emergência Dr. Armando Lages", segundo nota do governo do Estado do portal da Sesau, o UOL flagrou, neste fim de semana, corredores superlotados e pacientes e acompanhantes reclamando da demora no atendimento. A segurança do local não permitiu registrar imagens do local.

"Trabalhamos todos os dias com essa cena desumana de pacientes aqui nos corredores, mas fazemos o que dá."

Pacientes e acompanhantes também reclamaram da superlotação e a demora no atendimento no HGE.

"É um absurdo a gente ficar aqui nesse corredor, sem ter nem onde sentar, como se fossemos bichos, e saber que tem espaço desocupado no hospital. Se está pronto porque estão esperando para inaugurar?", questionou a filha de um paciente de 72 anos, que foi internado no início da semana no HGE depois de sofrer um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e desde que chegou ao hospital está no corredor.

Resposta

Em nota, a Sesau informou a ampliação do HGE está 98% concluída e para a UE começar a funcionar falta apenas a chegada de um chiller (resfriador de líquidos) e um gerador de energia que "são imprescindíveis para uma unidade hospitalar de emergência funcionar adequadamente, uma vez que, sem eles, não é possível colocar em funcionamento uma UTI e uma Unidade de Queimados."

De acordo com a Sesau, o chiller será importado da Alemanha e "o fornecedor ainda encontra-se dentro do prazo contratual estabelecido no processo licitatório para a entrega do equipamento".  A previsão é que a nova ala do HGE comece a funcionar até o fim deste ano.

A Sesau afirmou ainda que apesar do fornecedor está dentro do prazo de entrega do equipamento, o governo tem cobrado diariamente celeridade à chegada do equipamento.

A nota informou ainda que o HGE já atendeu nesses cinco anos mais de 715 mil doentes.

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