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Paciente é atendido no chão e morre em maior emergência do Piauí

Carlos Madeiro

Do UOL, em Maceió

09/04/2014 16h45Atualizada em 09/04/2014 16h51

A falta de vagas e a estrutura precária levaram um paciente idoso a ser atendido no chão do HUT (Hospital de Urgência de Teresina), maior emergência pública do Estado do Piauí. Milton Sérvulo Machado deu entrada na terça-feira (8) e, nesta quarta (9), morreu no local.

Um funcionário do hospital fez imagens do atendimento, que foram divulgadas nas redes sociais. Nas fotografias, o idoso aparece recebendo ajuda de respiração mecânica e monitoramento cardíaco apenas somente sob um lençol.

Segundo disse um funcionário do hospital ao UOL, que pediu para não ter a identidade revelada, a unidade estás superlotada, com macas com pacientes na recepção e corredores do hospital. “Está um caos completo, gente demais para ser atendida e que não para de chegar, e estrutura e gente de menos”, disse.

"Tendência é piorar"

O presidente da Fundação Hospitalar de Teresina, Aderivaldo Andrade, reconheceu que o paciente foi atendido realmente no chão e culpou uma obra e a falta de estrutura de retaguarda pela superlotação da unidade.

“Nos últimos 15 meses da minha gestão não tinha ocorrido isso, mas a situação vem se agravando. Estamos com uma reforma interna de 20 leitos para receber os pacientes que estão nessa área externa, para, na próxima semana, iniciar uma obra [de reforma]. A tendência é o agravamento. Não estamos conseguindo resolver a situação”, afirmou Andrade, em entrevista a uma emissora de TV nesta quarta-feira.

Segundo o gestor, o problema principal é a falta de suporte do Hospital Getúlio Vargas, o maior administrado pelo governo do Estado. A unidade possui 382 leitos e mais de 2.000 funcionários, mas não tem atendimento de pronto-socorro e funciona com serviços de alta complexidade.

“Nunca houve um apoio adequado. O HGV recebe 1.024 pacientes por ano, uma média ridícula, de menos de 4 pacientes por dia, aqui recebemos 300 doentes. É fácil entender o que está acontecendo. O Hospital Universitário, que também poderia dar suportes, está começando, mas ainda é muito tímido”, afirmou Andrade.

Por conta da superlotação, o presidente da fundação disse que já pensa em suspender a obra, caso não receba suporte. “Nós temos a opção de não iniciar a obra. Nós precisamos que o HGV trabalhe à noite e nos finais de semana, com retaguarda, mesmo que de porta fechada”

Medidas 

Em nota encaminhada ao UOL, a Secretaria de Estado da Saúde afirmou que está estudando “medidas emergenciais para ajudar a desafogar o HUT”. Uma delas seria a reabertura do pronto-socorro do HGV fechado em 2009. Outra proposta seria o arrendamento de hospitais privados da capital para suprir a demanda, além do aumento de leitos de retaguarda no próprio HGV.

A secretaria também disse que vai solicitar a abertura por completo do Hospital Universitário, ligado à UFPI (Universidade Federal do Piauí). A unidade foi inaugurada em novembro de 2012, após passar 23 anos em obras.  

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