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Passageiros vindos de países afetados por ebola terão temperatura aferida

Do UOL, em São Paulo

2014-10-31T11:26:09

31/10/2014 11h26

O Ministério da Saúde divulgou, nesta sexta-feira (31), novas medidas de monitoramento de viajantes vindos de países da África Ocidental afetados pelo ebola, como Libéria, Serra Leoa e Guiné, na chegada ao Brasil.

A estratégia já começa a ser implementada nesta sexta no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

Depois de passar por uma triagem, os passageiros receberão um folder informativo disponível em português, inglês, espanhol e francês com orientações sobre sinais da doença e sobre o SUS. "Passageiros que passam pela triagem recebem informações que o Sistema de Saúde do Brasil é universal e gratuito" comenta Secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa. "É muito importante informar os viajantes que eles poderão procurar o SUS gratuitamente", reitera ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Os passageiros também terão informações de origem colhidas e temperatura aferida. "O mais importante do cartão da entrevista é data de entrada do passageiro no país. Ela é que define as próximas ações", afirmou Arthur Chioro.

A nova medida, já adotada em países como Estados Unidos e Inglaterra, vem para reforçar as ações de preparação do Brasil para a eventual ocorrência de caso suspeito de ebola. "Essas ações nos dão mais capacidade de trabalhar de forma articulada com os órgãos de saúde", afirma o ministro da Saúde.

A ação será realizada pelo Ministério da Saúde juntamente com a Polícia Federal, Receita Federal, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Aeroporto de Guarulhos. A medida serve como 2º bloqueio sanitário, já que todos que saem de áreas afetadas pela doença já são entrevistados na saída.

Aeroportos envolvidos na ação

Na 2ª quinzena de novembro, os aeroportos do Galeão (RJ), e Pinto Martins (CE), em Fortaleza, também adotarão o monitoramento. Junto com o Aeroporto de Guarulhos (SP), os três aeroportos são responsáveis por 97% da chegada de estrangeiros no Brasil.

Também está prevista a adoção das medidas nos aeroportos internacionais de Brasília (DF), Viracopos (SP) e Salvador (BA). As novas medidas de monitoramento no aeroporto foram testadas em um simulado nesta quinta-feira (30), em Guarulhos, com todos os órgãos envolvidos.

Entenda o ebola

  • O que é o ebola?

    É uma doença causada por vírus, que pode ser fatal em até 90% dos casos. A morte geralmente ocorre por falhas renais e problemas de coagulação, em até duas semanas após a aparição dos primeiros sintomas.

  • Como se contrai o vírus?

    Ele é transmitido pelo contato direto e intenso com sangue e fluidos corporais (como suor, urina, fezes e sêmen, por exemplo) de pessoas contaminadas e de tecidos de animais infectados. Até o momento, não há notícias de pessoas que transmitiram o vírus antes de apresentarem os sintomas.

  • Quais os sintomas mais comuns?

    Febre repentina, fraqueza, dor muscular, dor de cabeça e inflamação na garganta. Depois, vômito, diarreia, coceira, deficiência hepática e renal e, em alguns casos, hemorragias internas e externas. O período de incubação costuma ser de dois a 21 dias, ou seja, esse é o tempo que pode levar para a pessoa infectada começar a apresentar os sintomas.

  • O que é um caso confirmado?

    Um caso suspeito com resultado laboratorial positivo para o vírus ebola realizado em laboratório de referência.

  • O 1º exame negativo descartada a doença?

    Não. O descarte só é feito após dois exames laboratoriais negativos com intervalos de 48h entre eles.

  • Qualquer unidade de saúde pode colher sangue para teste?

    Não. Esta doença é de notificação compulsória imediata. O Ministério da Saúde recomenda que, em caso de suspeita, a pessoa seja isolada e o ministério, acionado imediatamente para que o paciente seja levado a uma unidade de referência. Somente neste local pode ser feita a coleta de sangue.

  • Qualquer laboratório pode manipular o sangue de um caso suspeito?

    Não. Apenas um laboratório no Pará tem nível internacional de segurança 3 e, por isso, é o único credenciado pelo Ministério da Saúde para manipular e diagnosticar vírus ebola.

  • Como transportar pacientes suspeitos e/ou confirmados com ebola?

    Uma ambulância é previamente envelopada (seu interior é coberto por plástico para que não haja contato dos instrumentos com o paciente). Durante o transporte, tanto o paciente quanto a equipe médica e o motorista utilizam Equipamentos de Proteção Individual (EPI): macacão de tyvek, protetor facial, bota, luvas, entre outros.

  • O paciente deve ser colocado na ambulância em maca-bolha?

    Não há essa indicação técnica, já que a doença não é transmitida pelo ar e os profissionais de saúde estão usando todos os EPIs indicados no protocolo.

  • O que é feito quando há confirmação de caso de ebola?

    Os pacientes devem ser mantidos isolados, em suporte intensivo, em hospitais de referência para tratamento de doenças infecciosas graves. Todo e qualquer profissional de saúde que tiver contato com o paciente deve estar usando EPI.

  • O ebola tem tratamento específico?

    Não. Em geral os médicos recorrem a medicamentos para aliviar os sintomas, mas a cura depende do organismo do paciente. Existem apenas remédios e vacinas experimentais sendo testados no Canadá e nos EUA. O Zmapp, publicado no meio científico desde 2012, foi usado em humanos pela 1ª vez no surto atual, já que a OMS só libera o uso de medicamentos de alto risco em situações extremas.

  • Existe risco de epidemia de ebola no Brasil?

    O risco é extremamente baixo. Mesmo que haja casos confirmados isolados, a adoção de protocolos de isolamento, monitoramento e bloqueio evita a ocorrência de surto.

  • Quais países têm mais casos de ebola?

    Guiné, Libéria e Serra Leoa vivem surtos de ebola, e há casos na Nigéria e no Congo. EUA, Espanha e Reino Unido levaram compatriotas infectados para tratamento em seus países.

  • Como pode ser feita a notificação de um caso suspeito?

    O Ministério da Saúde disponibilizou alguns canais para profissionais de saúde: o telefone 0800 644 6645 e o e-mail notifica@saude.gov.br. A população pode usar o número 136.

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(Com informações do Portal Brasil)

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