Engenheiro cria site de 'vaquinha' para quem precisa de tratamentos caros

Eduardo Schiavoni

Do UOL, em Americana (SP)

  • Divulgação

    O engenheiro de computação Fábio Laé de Souza e a mulher Carolina Saliby são os responsáveis pelo site Clique da Esperança

    O engenheiro de computação Fábio Laé de Souza e a mulher Carolina Saliby são os responsáveis pelo site Clique da Esperança

Currículo com formação profissional em instituições brasileiras de ponta, vasta experiência corporativa, inclusive internacional, na área de sistemas e uma doença que fez com que sua carreira promissora fosse interrompida. Essa é a receita que levou o engenheiro de computação Fábio Laé de Souza, 38, a criar um projeto capaz de mudar a vida de famílias brasileiras que dependem da ajuda dos outros para conseguir tratamento de saúde para seus filhos.

Depois de ter experiências de trabalho na Inglaterra e nos Estados Unidos, Fabio começou, no fim de 2012, a sentir dores nos braços e tentou se manter no trabalho até que as dores, já crônicas, cobraram seu preço e ele teve que se afastar definitivamente das suas funções. Durante seu tratamento, ainda bastante debilitado, começou a pesquisar a história de pessoas que necessitavam de ajuda e começou a pensar em como colaborar com as diversas causas.  "Queria algo mais do que fazer doações para uma criança específica. Queria ser parte da solução do problema. Ao mesmo tempo, isso ajudaria as pessoas e ajudaria a mim mesmo. Eu precisava provar que eu ainda era útil, que não era um inválido", lembra.

Sem conseguir trabalhar, teve que voltar ao Brasil, já que seu visto era de trabalho. "Voltei para o Brasil em setembro de 2013, e comecei a desenvolver a ideia de um site onde as pessoas pudessem doar dinheiro a quem precisasse", conta. Foi ai que nasceu a ideia do Clique da Esperança, site que reúne casos de meninos e meninas com doenças graves e precisam de tratamento, geralmente caro e de urgência.

"De uma hora para outra, eu vivi um problema que fez eu repensar minha carreira. Os médicos chegaram a dizer que eu seria um inválido, que nunca voltaria a trabalhar. Por isso, precisei provar para mim mesmo e para o mundo que eu ainda podia fazer a diferença na vida das pessoas", relembra.

Fábio relembra que, como não conseguia digitar, contou com a ajuda da mulher, Carolina Saliby, 35, para digitar os códigos para a criação do sistema. Na época, ela estava em licença maternidade e esperava os dois filhos mais novos do casal dormirem para trabalhar com o marido. "O que qualquer pessoa da área fazia em minutos, eu levava horas, dias. Mas fomos trabalhando juntos até que o projeto ganhasse forma", conta a mulher.

Projeto

Com a ajuda da mulher, Fábio conseguiu terminar o Clique da Esperança e o site foi ao ar em maio de 2014. Em julho, a primeira campanha conseguiu arrecadar R$ 1.140 para o tratamento do pequeno Arthur, de Araraquara, cuja mãe morreu depois de parar a quimioterapia para que ele sobrevivesse. "Essa campanha durou apenas uma semana, já que a família conseguiu que o governo custeasse o tratamento. Mas mostrou que ajudar era possível", conta.

Desde então, o Clique da Esperança, que tem, hoje, mais de 120 mil seguidores no Facebook, 21 campanhas no ar, já ajudou mais de 30 famílias, com arrecadação que soma quase R$ 500 mil. A meta de arrecadação para 2015 é de R$ 5 milhões.

Para Patrícia Lacerda, mãe da pequena Sofia, que aguarda um transplante multivisceral nos Estados Unidos e também foi beneficiada pelo site, a iniciativa de Fábio é fundamental para manter a esperança das famílias. "O dinheiro é importante, fundamental, mas o Fábio também conversa com as famílias, mostra que é possível ter esperança. A ajuda que ele oferece é, muitas vezes, essencial para manter as pessoas de pé e confiantes na solução dos seus problemas", conta.

Para Fábio, entretanto, o diferencial é a possibilidade de ajudar e ter a certeza de que o dinheiro vai integralmente para as mãos das famílias. Além disso, Fábio ressalta que a real necessidade da família é comprovada por meio de documentos, exames médicos e entrevistas para evitar que o sistema seja utilizado por pessoas mal intencionadas.

O sistema aceita doações de R$ 5 até R$ 1 mil. A transação é feita pela plataforma PagSeguro e o valor é depositado diretamente na conta dos pais da criança. "Nós apenas fornecemos o sistema. O dinheiro cai direto na conta das famílias que são ajudadas, não temos nenhum contato. Nosso papel é facilitar a doação e fornecer um resumo detalhado sobre quanto foi arrecadado e quem fez a doação", informa.

O Clique da Esperança não cobra nenhum tipo de taxa e os valores são representados por presentes virtuais ou mimos. Por cinquenta reais, por exemplo, é possível "comprar" roupinhas para Davi Miguel, de um ano, que precisa de um transplante de intestino feito apenas nos Estados Unidos. O bebê já recebeu quase R$ 120 mil reais em doações por meio do site. "É uma forma de fazer com que as doações aconteçam de forma lúdica", diz Fabio.
 

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