Bebê ficar cego com flash é "praticamente impossível", dizem médicos

Fabiana Marchezi

Do UOL, em Campinas (SP)

  • People's Daily/Reprodução

    O bebê que teria perdido a visão em um olho depois de uma foto com flash, que estaria muito perto do rosto

    O bebê que teria perdido a visão em um olho depois de uma foto com flash, que estaria muito perto do rosto

O caso de um bebê chinês de três meses que teria ficado cego depois que um amigo da família teria feito uma foto com flash a uma distância de 25 centímetros chamou a atenção dos internautas nas redes sociais, nesta terça-feira (28). Entretanto, três especialistas ouvidos pelo UOL afirmaram que isso é "praticamente impossível". Todos acreditam que o mais provável é que a criança já tivesse um problema na visão que acabou sendo descoberto por causa do incidente.

Segundo os oftalmologistas, o flash de uma câmera não tem potencial para causar dano permanente, principalmente por ser muito rápido e ter pouca intensidade. "Para causar um problema tão grave, a intensidade da luz precisaria ser muito alta e o tempo de exposição à ela muito prolongado. O flash de uma câmera dura uma fração de milésimo de segundo e não costuma ser tão intenso. Por isso, não faz sentido levar à cegueira", disse a oftalmologista Denise Fornazari, do Hospital de Clínicas da Unicamp.  

Mesmo para uma criança que tenha nascido prematura, por mais imaturas que as células da retina sejam, a possibilidade de dano permanente por causa do flash é quase nula. "Não há relatos de nenhum caso assim na literatura médica. Não é totalmente impossível, mas é muito improvável. O mais provável é que o bebê já tivesse uma doença que acabou sendo descoberta por causa disso", disse a oftalmologista Josenalva Cassiano, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Entretanto, a especialista ressalta que fotos seguidas com flash não é bom para ninguém, mesmo para os adultos. "Pode ocorrer algum tipo de lesão por causa do tempo de exposição à luz. Muitos flashes seguidos podem causar algum tipo de lesão, mas não irreparável. Mesmo assim, é preciso ter bom senso", avaliou

O oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, em Campinas (SP), explica que uma luz muito forte e um pouco mais prolongada, como por exemplo o farol de um carro com luz alta no sentido oposto da estrada, pode causar saturação na retina a ponto de ofuscar a imagem por algum tempo, mas que no adulto, por exemplo, a visão é recuperada em questão de segundos. "No bebê também. Talvez a recuperação demore mais, mas recupera".

Segundo ele, o tempo de exposição ao flash dificilmente causaria problemas em bebês. "Existe mais risco aos olhos do bebê ao deixá-lo exposto diretamente ao sol por um período prolongado do que o flash que leva uma fração de milésimo de segundo", finalizou. 

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