Anvisa é questionada sobre eficácia de sabonetes antibacterianos

Do UOL, em São Paulo

  • Getty Images/iStockphoto

Lavar as mãos com água e sabão comum é mais do que suficiente para evitar doenças, sendo desnecessário usar sabonetes antibacterianos. Está foi a declaração dada pela FDA (agência americana de medicamentos e alimentos, em sigla em inglês) ao proibir a utilização de 19 ingredientes químicos nos sabonetes antibacterianos comercializados nos Estados Unidos.

O alerta da FDA é que substâncias como o triclosan, comum em sabonetes líquidos, e o triclocarban, presente na maior parte dos sabonetes em barra, podem trazer danos à saúde.

Alguns estudos com animais, por exemplo, demonstram que tais substâncias poderiam causar resistência bacteriana, efeitos hormonais e até o desenvolvimento de alguns tipos de câncer.

Após a proibição nos Estados Unidos, a Proteste Associação de Consumidores questiona a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) se as mesmas substâncias serão proibidas no Brasil, diante dos riscos do uso.

Em nota, a Anvisa afirmou que tem conhecimento dos recentes dados relacionados aos riscos do uso das substâncias em cosméticos e está estudando a necessidade de revisão da regulamentação sobre o tema. 

Segundo dados da agência, em todo o país existem 215 produtos notificados como sabonetes antissépticos que contém as substãncias triclosan e 110 com triclocarban.

Getty Images
Em 2012, a Proteste testou a eficácia de 12 sabonetes para acabar com quatro tipos de bactérias, e constatou que quatro não tinham ação bactericida. Além disso, ao menos cinco deles continham as substâncias agora proibidas nos Estados Unidos: o tricosan e o triclocarban.

O Dettol líquido e o Granado tradicional estavam livres desses ingredientes.

Já a marca líder nesse segmento, que promete acabar com 99,9% as bactérias presentes na pele, não eliminou nem sequer reduziu qualquer microrganismo usado no teste: Escherichia coli presente no intestino grosso e nas fezes humanas, Pseudomonas aeruginosa, causadora da infecção hospitalar, Serratia marcescens, que ataca o sistema urinário e respiratório e a Staphylococcus aureus que causa infecções na pele e até pneumonia.

A Proteste orienta que, enquanto esses produtos com as substâncias vetadas nos Estados Unidos continuam disponíveis nos mercados brasileiros, o melhor é evitar a compra.

Para a higiene cotidiana, sobretudo das crianças, basta somente o uso de água e sabão. Adquirir sabonetes antissépticos para a higiene diária é desnecessário e pode, eventualmente, trazer mais efeitos indesejáveis do que desejáveis. 

Nos Estados Unidos os produtos precisarão mudar suas fórmulas ou não poderão mais ser comercializados. Os fabricantes terão um ano para se ajustarem as novas regras. 

 

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