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Rio: rede municipal de saúde tem salários atrasados e falta de remédio

30.ago.2017 - Servidores protestam contra sucateamento na área da saúde no Rio - Andre Mello/Futura Press/Estadão Conteúdo
30.ago.2017 - Servidores protestam contra sucateamento na área da saúde no Rio Imagem: Andre Mello/Futura Press/Estadão Conteúdo

Giovani Lettiere* e Paula Bianchi

*Colaboração para o UOL, no Rio

31/08/2017 04h00

Funcionários de OSs (organizações sociais que administram unidades de saúde) da rede municipal do Rio de Janeiro denunciam atrasos de salários e sucateamento dos serviços. As 176 unidades de saúde da capital gerenciadas por OSs representam 53% da rede municipal. Os funcionários terceirizados dizem que, além dos salários, as unidades sofrem com a falta de insumos e até de comida.

De acordo com o vereador Paulo Pinheiro (PSOL), todas as unidades gerenciadas por OSs na cidade estão com pagamentos atrasados.
 
É uma crise brutal. De um lado sobrecarga de serviço pelo não funcionamento das outras redes do [Estado e União] e de outro a falta de recursos.
 
Um protesto em defesa da saúde pública no Rio de Janeiro expôs as feridas da rede municipal da capital fluminense. Funcionários e servidores ouvidos pelo UOL durante a manifestação que saiu da Candelária e percorreu a avenida Rio Branco no começo da noite de quarta-feira (30) denunciaram os atrasos e sucateamento do serviço e das instalações de centros de saúde e de acolhimentos de pacientes que sofrem de problemas mentais.
 
Heloísa Carvalho, funcionária da Organização Social Viva Rio, que administra a Unidade de Acolhimento Adulto em Saúde Mental de Olaria, na zona norte da cidade, disse estar até agora sem o salário de julho em sua conta.
 
"Recebo por uma organização social e disseram que só vão pagar dia 15 de setembro. Nossos pacientes, são 15, estão sem comida, sofrendo com falta de material. Há um sucateamento das unidades de saúde. As Clínicas da Família continuam abertas, mas estão sucateadas para os trabalhadores não resistirem e irem embora. Estamos protestando aqui para não fecharem as unidades de saúde do Rio", explicou.
30.ago.2017 - Protesto unificado de profissionais da saúde e da educação contra o fechamento de escolas e pela regularização de salários atrasados, no Rio de Janeiro (RJ) - Giovani Lettiere/UOL - Giovani Lettiere/UOL
Funcionários da saúde e da educação do Rio protestaram contra sucateamento
Imagem: Giovani Lettiere/UOL
 

Racionamento de comida

O Caps (Centro de Atendimento Psicossocial) Antonio Carlos Mussum, na Colônia Juliano Moreira, zona oeste do Rio, administrado pela Organização Social Iabas (Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde), também não tem salários em dia. O técnico em enfermagem Cleber dos Santos ainda não recebeu o mês de julho. 
 
"Agora agosto praticamente acabou também. Falaram que até o dia 15 de setembro cairia alguma coisa. Acho que vão pagar um mês só e não dois como estão devendo", lamenta. 
 
De acordo com Santos, a estrutura do posto é boa, mas a comida está sendo racionalizada. "Não está no patamar ideal a alimentação dos pacientes. Tem material e remédio ainda", afirma.
 
A situação é a mesma no Centro Municipal de Saúde Carlos Cruz Lima, também administrado pela OS Viva Rio, em Colégio, zona norte do Rio. A agente comunitária de saúde Mariza Rodrigues recebeu o salário de julho com uma semana de atraso. 
 
Sequer havia uma data de pagamento. Mas fizemos uma mobilização e apareceu o dinheiro, mas com atraso. Não sabemos quando vamos receber o mês de agosto.
 
Segundo ela, o centro de saúde está começando a sentir o efeito da crise na administração das OSs com o contingenciamento da Prefeitura do Rio. "Ficamos sem internet por três dias, o que inviabiliza o agendamento de pacientes, os materiais estão ficando escassos, tem muito remédio faltando, não temos papel nem copo descartável. Uma situação preocupante", denuncia.
 

O que dizem a prefeitura e as OSs

Procurada pelo UOL, a Secretaria Municipal de Saúde diz que "trabalha diariamente para ajustar as despesas com a gestão dos serviços ao orçamento da pasta e realizar os repasses às organizações sociais de saúde no menor tempo possível e dentro do novo calendário publicado no Diário Oficial, no dia 18 de agosto".
 
O Iabas confirmou que os salários de julho não foram pagos integralmente em razão dos atrasos de repasses por parte da prefeitura. "Assim que os repasses forem feitos, todos os salários serão regularizados. O Iabas adiantou a primeira parcela do 13º salário de seus colaboradores visando a auxiliar seus profissionais no aguardo dos repasses", informou o instituto, por meio de nota.
 
O Vivo Rio informou que "o pagamento de funcionários e insumos são providos pelo Viva Rio, mas dependem dos repasses da prefeitura. Conforme orientação, é a SMS [Secretaria Municipal de Saúde] que responde sobre o assunto.