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Pesquisadora brasileira recupera visão de idosos usando células-tronco

Exame de vista, em foto de arquivo - Luiz Costa/Prefeitura de Curitiba
Exame de vista, em foto de arquivo Imagem: Luiz Costa/Prefeitura de Curitiba

Maria Julia Petroni

Do Jornal da USP

19/07/2018 09h42

Uma pesquisadora brasileira recuperou consideravelmente a visão de pacientes idosos utilizando células-tronco. O resultado foi conseguido em um estudo da oftalmologista Carina Costa Cotrim, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP).

A pesquisadora utilizou uma injeção intraocular para realizar um autrotransplante de células-tronco retiradas da medula óssea. Participaram do procedimento dez pacientes com mais de 50 anos que apresentavam degeneração macular seca avançada. O material da medula de cada paciente foi coletado no próprio Hospital das Clínicas.

A medula óssea aspirada é rica em células que podem se transformar em outras células e também apresentam grande potencial em liberar fatores de crescimento que melhoram o ambiente da retina e resgatam aquelas células doentes”, afirmou a pesquisadora.

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O material coletado foi processado e as células-tronco isoladas em laboratórioe injetado em uma quantidade de 0,1 ml no olho de pior visão. Após a injeção, os pacientes foram acompanhados de três em três meses até completar um ano. Nesse período, diz Carina, passaram por avaliações, como tomografia de coerência óptica, para avaliar a função visual e, também, responderam questionários sobre qualidade de vida.

Carina Cotrim, oftalmologista e autora do estudo - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Carina Cotrim, oftalmologista e autora do estudo
Imagem: Arquivo pessoal
De acordo com a oftalmologista, o estudo é uma análise inicial para o uso dessas células no tratamento da DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade) na forma seca, uma doença que leva à cegueira e afeta 8,7% dos idosos no mundo. “Até o momento, não existe nenhum tratamento efetivo e, portanto, é de grande importância estudos nessa área”, acredita a pesquisadora.

Durante todo o acompanhamento, o tratamento mostrou-se seguro. O exame de angiofluoresceinografia não apresentou crescimento de vasos indesejados ou tumores na retina.

Houve melhora da visão da maioria dos pacientes tratados assim como maior estabilidade na fixação. Os idosos com menor grau da doença, ou seja, menor atrofia, apresentaram melhor evolução que aqueles com maior atrofia."

Para Carina, a explicação está no possível resgate funcional das células que ainda não morreram, mas não funcionam devido ao sofrimento. “Na avaliação da qualidade de vida, houve melhora significativa na visão de cores e na saúde mental desses pacientes já nos seis meses de acompanhamento.”

Imagem de fundo de olho exibindo degeneração macular relacionada à idade - National Eye Institute of the NIH via Wikimedia Commons/Domínio Público - National Eye Institute of the NIH via Wikimedia Commons/Domínio Público
Imagem de fundo de olho exibindo degeneração macular relacionada à idade
Imagem: National Eye Institute of the NIH via Wikimedia Commons/Domínio Público
A pesquisadora lembra que diversas células-tronco estão sendo estudadas para as doenças oculares em todo o mundo. Células semelhantes às utilizadas em seu estudo também foram avaliadas pela pesquisadora Susanna Park na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e também mostraram resultados animadores.

A pesquisadora lembra, ainda, que o número de pacientes na pesquisa brasileira foi pequeno, por isso novos estudos devem ser realizados para ampliar os testes e confirmar os resultados.

O artigo com os resultados foi publicado na Revista "Clinical Ophthalmology" como resultado do mestrado de Carina. Assinam também o artigo Luiza Toscano, André Messias, Rodrigo Jorge e o professor Rubens Camargo Siqueira, orientador do mestrado.