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Mandetta alerta sobre manifestações: "Com gripe, não vá"

Gabriel Sabóia e Felipe Amorim

Do UOL, no Rio e em Brasília

12/03/2020 11h27Atualizada em 12/03/2020 17h00

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, alertou para o risco de transmissão do coronavirus nas manifestações do próximo final de semana. Vários atos estão marcados para o próximo sábado (14), em memória aos dois anos do assassinato da vereadora Marielle Franco, e para o domingo (15), para criticar a atuação do Congresso —o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) chegou a convocar seus simpatizantes para as manifestações de domingo.

"O Ministério da Saúde não manda em ninguém. O Brasil segue funcionando, as pessoas seguem andando em ônibus, por exemplo. Mas, o meu conselho é: se você está resfriado, não vá. Se for, busque não ficar em aglomerações, lave as mãos e use álcool em gel. Ontem o Maracanã recebeu 63 mil pessoas. Não deve ter sido uma entrada distanciada, seguindo os protocolos. Nós precisamos seguir as orientações", afirmou.

Mandetta também afirmou, em evento realizado hoje no Rio de Janeiro, que o momento é de mais atenção das autoridades e disse temer o aumento do número de infectados. No entanto, ele voltou a criticar o governador de Brasília, Ibaneis Rocha (MDB), que suspendeu as aulas nas redes pública e privada do Distrito Federal por cinco dias.

"Ontem eu vi governador de Brasília dizendo que ia suspender as aulas por cinco dias. Aí você suspende a aula, os alunos vão para as suas casas, pai e mãe estão trabalhando, com quem ficam as crianças? Com os avós. Quem é o maior grupo de risco? Os idosos. Você sabe que a criança é assintomática ou tem uma forma leve. Vamos protegê-las para não pegarem a gripe e vamos mandá-las para a casa dos avós? Depois de uma semana, dez dias você vai começar a ver os idosos aparecerem nas unidades de saúde em bloco com dificuldade respiratória", afirmou.

O ministro também afirmou que o Brasil deve receber, até a semana que vem, mais de 20 milhões de máscaras cirúrgicas que evitam o contágio do coronavirus.

"Nós precisamos nos pautar por evidências científicas. As medidas que estão ao alcance do ministério da saúde já estão sendo feitas. Estamos conversando, colocando insumos, trazendo equipamentos. Semana que vem a gente espera a chegada de 20 milhões de máscaras. Conversando com o embaixador da China para retomar a produção de EPI [equipamentos de proteção individual]. O EPI está apertado, o mundo mais rico comprou, estocou. Agora que está entrando no nosso inverno", concluiu.

Vírus ainda não circula entre a população, diz Saúde

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, afirmou hoje que não há transmissão comunitária do novo coronavírus.

O termo técnico é usado para sinalizar que não é mais possível identificar a origem da transmissão do vírus ao paciente, o que indica que o vírus já circula entre a população.

Até o momento foi possível identificar a fonte de contaminação de todos os casos confirmados: viagens ao exterior ou o contato com outros pacientes que contraíram o vírus.

"Não temos transmissão comunitária no Brasil. Podemos ter amanhã? Podemos. Mas nesse momento ainda não temos essa situação. Estamos preparados para todas as condições", disse Oliveira.

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