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Covid: Números oficiais de casos são ponta de iceberg, diz epidemiologista

Do UOL, em São Paulo

06/05/2020 13h21

Em tempos de pandemia do novo coronavírus, o Brasil convive com um problema: a subnotificação de casos. E para Pedro Hallal, epidemiologista e reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), os números oficiais apresentados dia a dia são apenas a ponta de um iceberg, que esconde dados consideráveis.

"Vou citar os dados da pesquisa epidemiológica. Na primeira fase da pesquisa, estimamos que, para cada caso confirmado, havia sete ou oito a mais, e na segunda fase que aparece nas estatísticas, a gente estimava que existiam 12 vezes mais casos", afirmou Hallal ao programa UOL Debate.

"Por isso que a gente faz essa analogia com o iceberg. Existe uma ponta que é visível, que fica acima do nível do mar, que é representada pelos casos que aparecem nas estatísticas oficiais e tem a tendência a serem os casos mais graves. E tem todo o restante da população que tem sintomas mais leves e não vão ser testadas mas também foram infectadas pelo vírus da covid-19", completou.

A questão foi discutida no UOL Debate de hoje, que discutiu como enfrentar a subnotificação da covid-19 no país. O programa reuniu ainda Paulo Lotufo, epidemiologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP); Dalson Figueiredo, cientista político e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e Luís Carlos Vendramin Júnior, vice-presidente da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil).

Para Paulo Lotufo, por ser um problema novo e apresentar um quadro sintomático por vezes inesperado, o novo coronavírus tem oferecido dificuldades para as estatísticas até aqui.

"O maior problema que estamos tendo é um problema novo, que é o não-reconhecimento das ações do coronavírus no ser humanos", explicou.

"As apresentações clínicas que esperávamos era de uma gripe, e estamos vendo que não é. Está afetando as pessoas no sistema cardiocirculatório. Falava-se somente em pessoas de risco e hoje já vemos crianças apresentando quadros gravíssimos de choque tóxico."

"Então, não é exatamente subnotificação, pelo menos em questão de mortes. Elas estão sendo quantificadas. O que não estamos conseguindo fazer é qualificá-las", acrescentou Lotufo.

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