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Secretários enfrentaram "inação" do governo federal, diz líder do Conass

Carlos Lula, secretário de Saúde do Maranhão - Divulgação/Agência Maranhão de Notícias
Carlos Lula, secretário de Saúde do Maranhão Imagem: Divulgação/Agência Maranhão de Notícias

Do UOL, em São Paulo

02/07/2020 16h40

O presidente interino do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), Carlos Lula, disse hoje em entrevista à CNN Brasil que os gestores estaduais tiveram que agir "diante da inação do governo federal" na pandemia do coronavírus.

O secretário de Saúde do Maranhão assumiu a liderança do conselho após a renúncia de Alberto Beltrame, que comandava a área no Pará e se afastou do cargo em meio a investigações sobre supostas irregularidades na compra de respiradores pulmonares para o combate ao coronavírus. Beltrame foi alvo de operação da Polícia Federal em suas residências em Belém e Porto Alegre.

"Por parte dos secretários, a gente entende que todos os fatos devem ser apurados, quem tiver cometido equívocos deve ser punido, mas nem todos podem ser colocados na mesma pecha, dizer que os 27 secretários de Estado desviaram recursos e paralisar a atividade do Brasil inteiro. Os secretários tiveram que agir para conter a pandemia diante da inação do governo federal", disse Carlos Lula.

O líder do Conass ainda disse que o clima criado no país pelas investigações é de instabilidade nas ações contra a covid-19. "Ninguém vai querer mais ser gestor de saúde no país porque sabe que depois vai ter que responder".

Carlos Lula afirmou também que as operações da PF beneficiam quem não trabalhou pelo combate à pandemia, defendendo que não se "pode simplesmente parabenizar a inação".

"Os gestores que nada fizeram neste momento estão sendo premiados. Eles não vão ser acusados de nada. Eles simplesmente não compraram respiradores, não compraram testes, não criaram leitos", disse.

O presidente interino do conselho também mencionou que a falta de apoio do governo federal causou erros na condução do isolamento social, na vigilância e na forma de retomada das atividades econômicas.

"Muitas vezes os gestores tomaram decisões espremidos porque não tinham apoio do governo federal, viam absoluta necessidade de tomar decisões, porque, se não tomassem, ficariam marcados como pessoas que não fizeram nada pelo país; se tomassem, poderiam receber a pecha de corruptos", afirmou.

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