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Responsável por vacina russa diz esperar imunidade de 2 anos contra covid

Sputnik V, vacina russa contra a covid-19 que passa por testes em humanos no país euroasiático - The Russian Direct Investment Fund (RDIF)/Handout via REUTERS
Sputnik V, vacina russa contra a covid-19 que passa por testes em humanos no país euroasiático Imagem: The Russian Direct Investment Fund (RDIF)/Handout via REUTERS

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

26/08/2020 15h31Atualizada em 26/08/2020 16h06

O diretor do Instituto Gamaleya, responsável pelo desenvolvimento da vacina russa contra o coronavírus, Alexander Gintsburg, afirmou hoje esperar que a imunização dela dure dois anos, no mínimo.

O instituto acompanha cem pessoas vacinadas há cinco meses, no máximo, com o imunizante russo. Embora ainda não haja um resultado concreto de imunidade de maior prazo hoje, Gintsburg disse que esses voluntários apresentam grande quantidade de anticorpos até o momento.

"Podemos ter resposta imune de pelo menos cinco meses, porque já temos observado nossos voluntários durante cinco meses, e esperamos ter esse prazo ainda mais longo. Esperamos que vá ser possível de dois anos, como a vacina contra a ebola", falou, ao citar como exemplo similar de processo também a vacina contra a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS).

A expectativa é que a Rússia comece a terceira fase de estudos da vacina com a aplicação dela em 40 mil voluntários, com preferência a profissionais da saúde, na semana que vem, segundo o diretor de um fundo de investimentos russo, Kirill Dmitriev, que acompanha o processo da vacina. Essa terceira fase acontecerá na Rússia. Os resultados de todos os ensaios sairão em outubro e novembro, informou.

O Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná) ainda analisa os dados da vacina para que possa apresentá-la oficialmente aos órgãos competentes no Brasil, como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e, subsequentemente, se autorizado, começar testes e demais procedimentos no país. Não foi informado prazo para tanto.

"É uma ação coordenada nesta fase inicial de formatação de um protocolo de pesquisa e de validação que será submetido à Comissão Nacional de Ética e Pesquisa, inicialmente, e após à Anvisa, para as devidas autorizações", disse o diretor-presidente do Tecpar, Jorge Callado.

As declarações foram dadas hoje em audiência pública virtual sobre a vacina russa promovida no Congresso Nacional. O Tecpar firmou memorando de entendimento por meio do governo do Paraná com o Instituto Gamaleya, do país euroasiático, para acesso à vacina russa.

"Inicialmente, buscamos a realização da fase 3 no Brasil e, na sequência, a questão da própria fabricação em território brasileiro, possivelmente de forma consorciada", acrescentou.

Callado afirmou que o instituto continua a receber os estudos russos das fases 1 e 2 e está analisando-nos internamente. Ele informou não poder revelar detalhes sobre o processo devido a termos de confidencialidade, mas falou que as expectativas são positivas. A vacina deverá ser aplicada em duas doses.

O embaixador da Rússia no Brasil, Sergey Akopov, se comprometeu a entregar parte dos documentos à comissão do Congresso Nacional para o enfrentamento à pandemia após pedidos de parlamentares sobre mais informações. Segundo Jorge Callado, esses estudos iniciais têm cerca de 600 páginas.

Apesar de ter sido a primeira vacina registrada contra a covid-19 no mundo, pouco se sabe sobre seus resultados efetivos. Por isso, vem sido tratada com desconfianças. A audiência hoje aconteceu justamente para se tentar avançar em informações.

Os russos afirmaram esperar produzir a vacina no Brasil, Arábia Saudita e Filipinas, por exemplo. No Brasil, disseram, a intenção é ainda exportar o imunizante para toda a América Latina.

Eles alegaram que a vacina é baseada em plataformas seguras e possivelmente mais eficaz do que outras vacinas em desenvolvimento por contar com dois vetores de adenovírus humano, ao contrário das que usam somente um, o que permitiria uma imunidade a longo prazo.

"O interesse da Rússia não consiste em ganhar o mercado, mas em fabricar o quanto antes um remédio que possa garantir a toda a população defesa eficaz e segura contra a covid-19. Brasil é parceiro estratégico muito importante", disse o embaixador russo.

Inicialmente, o diretor do Instituto Gamaleya, Alexander Gintsburg, não conseguiu participar da reunião por problemas técnicos, e parte dos parlamentares demonstrava frustração.

"Do ponto de vista prático, a gente consegue apoiar o que a gente conhece", disse o deputado Luiz Antônio Teixeira Junior (PP-RJ). Depois, Gintsburg conseguiu responder aos questionamentos dos parlamentares e as dúvidas foram sanadas.

Uma representante do Ministério da Saúde brasileiro afirmou que a pasta está aberta a todas as possibilidades e iniciou conversas com a embaixada russa para obter mais dados da vacina.

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