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Argentina recebe imunizante russo e é 4º país latino-americano a ter vacina

Luciana Rosa

Colaboração para o UOL, em Buenos Aires

24/12/2020 10h56

Com a chegada do voo AR-1061 com um carregamento de 300 mil doses da Sputnik V no final desta manhã (10h17), a Argentina se transforma no quarto país latino-americano a concretizar um plano de vacinação contra o novo coronavírus antes do fim do ano.

O voo com as vacinas embaladas em caixas especialmente acondicionadas a menos 18ºC decolou por volta das 17h do aeroporto de Sheremétievo, em Moscou.

Além da vacina russa, a Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica argentina aprovou, no final da última terça-feira (22), o uso emergencial da vacina Pfizer, cujas primeiras doses devem chegar ao país vizinho entre janeiro e março.

"O problema estava radicado na interpretação da lei [para sua importação]", disse o presidente Alberto Fernández sobre os problemas com a demora da aprovação do uso desta vacina no país. O governo argentino está trabalhando ainda em acordo com a farmacêutica chinesa Sinovac e deve produzir, em conjunto com o México, 150 milhões de doses da vacina Oxford/ AstraZeneca.

América Latina

O México foi o pioneiro a começar a vacinar seus cidadãos nesta quinta-feira (24) com a vacina dos laboratórios Pfizer BionTech. As doses chegaram ontem.

"Chegaram ao México as primeiras 3 mil doses da vacina da Pfizer, que terão como objetivo calibrar a cadeia de frio necessária para seu armazenamento, distribuição e aplicação", informou o governo mexicano.

O objetivo é fazer uma espécie de teste para garantir as condições ideais para a chegada de maiores quantidades do imunizante. Andrés Manuel López Obrador, presidente mexicano, anunciou que as primeiras doses da vacina serão aplicadas em trabalhadores da saúde.

"O convênio com a Pfizer será de mais de 34 milhões de vacinas e, como já foi explicado, estamos trabalhando com outras, então haverá suficiente para o plano de vacinação que o setor de saúde do governo do México desenvolveu. Isso significa que será universal", anunciou o mandatário.

Na Costa Rica, a vacinação começou pelos asilos. "É um momento muito importante para nosso país", disse o presidente Carlos Alvarado.

Chile

O Chile também já recebeu hoje um carregamento de 10 mil doses do imunizante da Pfizer, que exige temperaturas de -70ºC.

O presidente, Sebastián Piñera, recepcionou pessoalmente a chegada das vacinas pouco antes das 7 da manhã e garantiu que sua aplicação deverá começar ainda neste dia 24. Seu destino serão os hospitais Posta Central, Hospital Metropolitano e o Hospital San José, e os trabalhadores da Unidades de Tratamento Intensivo serão os primeiros beneficiados.

"Nossa intenção é vacinar 100% do pessoal médico das regiões de La Araucanía, Biobío e Magallanes e um terço do pessoal médico da Região Metropolitana. E é claro que quando chegar a segunda remessa, na próxima semana, continuaremos com esse processo ", disse Piñera.

"A parte logística, a verdade é que está bastante bem salvaguardada. Eu acredito que em função da alta demanda mundial, por ser o Chile um país pequeno, com um mercado não tão poderoso, e, tendo a Pfizer que repartir vacinas no mundo inteiro, tenha sido o motivo da chegada de uma remessa tão pequena", disse a vice-presidente da Sociedade Chilena de Infectologia Claudia Cortes.

Ela lembra que as 10 mil doses que desembarcaram hoje no Chile são suficientes para imunizar apenas profissionais dos hospitais da região metropolitana de Santiago. "Ainda não temos de todo claro se o total dessas vacinas serão para 10 mil pessoas, ou se a metade dessa remessa será reservada para aplicação da segunda dose", afirmou.

"No Chile os dados epidemiológicos demonstraram que o pessoal de saúde tem três vezes mais risco de adoecer e ser hospitalizado do que a população em geral", explicou a infectologista.

"O governo está fazendo um trabalho bastante forte do ponto de vista comunicacional, que é preocupante porque se pode receber a mensagem por parte da população de que a pandemia acaba porque as vacinas estão no país. Por isso, para mim, é muito importante frisar que as doses que chegam hoje alcançam para menos de 0,06% do público-alvo que deve ser vacinado", pontuou a médica.

Até quarta-feira, a zona sul do país —Biobío, La Araucanía ou Magallanes— era cogitada como um dos possíveis locais para o início da vacinação, no entanto, o processo acabou ficando para depois.

Um ponto que ainda não ficou claro é se o presidente chileno será imunizado com a vacina Pfizer ou com a chinesa Sinovac, versão que receberá a maioria dos chilenos.

Logística

No caso argentino, a logística de vacinação foi apresentada ontem, logo após uma reunião ministerial que coincidiu com o momento da partida do voo da Aerolineas Argentinas de solo russo.

A distribuição e aplicação contará com 116 mil profissionais trabalhando nas equipes de vacinação, além de 10 mil voluntários, distribuídos em mais de 7 mil estabelecimentos de saúde especialmente equipados. No total, a Operação Nacional de Vacinação deverá aplicar 51 milhões de doses da vacina contra a covid-19.

A província de Buenos Aires, região mais populosa do país e que chegou a concentrar um 80% dos casos de covid-19 em períodos mais críticos da pandemia no país, receberá entre 40 e 45% do total de doses.

"Especialmente na Província de Buenos Aires nós estamos montando uma logística junto com o Correio Argentino para distribuir a vacina por todos os municípios, onde haverá diferentes pontos de vacinação", explica Enio García, porta-voz do Ministério da Saúde provincial. "Estão dentro do planejamento aproximadamente 150 escola, onde ocorrerá a imunização seguindo um sistema de turnos agendados através de uma página web que lançamos ontem."

"Manteremos um sistema centralizado para garantir a cadeia de frio, porque esta necessita estar a menos 18 graus, e uma vez retirada desta temperatura há que esperar meia hora para que se descongele e outra meia hora para a aplicação. Isso é o que está aprovado por agora", diz Garcia, que conta que na Rússia estão estudando uma maior duração da Sputnik V fora da refrigeração.

Segundo o secretário de Igualdade em Saúde, Martín Sabignoso, "a partir desta quinta-feira terá início a distribuição da vacina a todas as províncias e a entrega deve estar completa entre domingo e segunda", disse logo após a reunião na Casa Rosada.

Ele contou ainda que o presidente Alberto Fernández deverá comunicar-se com todos os governadores para decidir conjuntamente o momento exato do início da vacinação. "Se respeitados os critérios de igualdade para todos os argentinos que tenham a possibilidade de se vacinar a partir da semana que vem", garantiu.

A prioridade será dada àquelas pessoas que façam parte dos grupos de risco e tenham maior nível de exposição ao vírus, começando por profissionais de saúde, a que será destinado um 35% das primeiras 300 mil doses da Sputnik V.

Nas próximas etapas, serão imunizados adultos maiores de 70 anos, logo a população entre 60 e 69 anos, forças armadas e de segurança, para só então vacinar membros do grupo de risco com entre 18 e 59 anos. Docentes e outros profissionais de cargos considerados estratégicos serão definidos conforme jurisdição e segundo a disponibilidade de doses.

Serão 1.800 pontos de vacinação distribuídos em toda a Argentina, segundo Sabignoso. Em janeiro, "chegarão outras cinco milhões de doses para destinadas aos idosos, começando por aqueles residentes em casas de repouso", com novas remessas em fevereiro de 14 milhões de doses a mais "seguir incorporando as outras populações", explicou o médico.

Ainda com a iminência do início da imunização, o presidente reforçou o pedido de responsabilidade à população dizendo que a vacina "a chegada da vacina não significa o final da pandemia", lembrou.

Além disso, para tentar barrar a entrada da nova versão do vírus, o governo argentino voltou a suspender voos da Grã-Bretanha, Itália, Dinamarca, Países Baixos e Austrália e cancelou, até 8 de janeiro, a entrada de turistas oriundos de países limítrofes, incluindo o Brasil.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado na primeira versão desta reportagem, a Argentina é o quarto país latino-americano a receber a vacina.

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