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Conteúdo publicado há
2 meses

Médico desabafa sobre irresponsabilidades na pandemia: Parem de fazer m***

Felipe Munhoz

Colaboração para o UOL, em Lençóis (BA)

26/12/2020 14h52

O médico Luiz Gabriel Signorelli, diretor geral da Santa Casa de Itatiba (SP), a 85 km da capital paulista, fez um desabafo em um vídeo publicado nas redes sociais com críticas sobre as irresponsabilidades cometidas pelos cidadãos durante a pandemia do novo coronavírus. Ao UOL, o diretor disse hoje que, por meio da gravação, tentou esclarecer a população sobre os cuidados com a contaminação pela covid-19 e que não esperava que o caso tomasse proporções fora da cidade.

Na gravação citada, o diretor afirmou que a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital está lotada, que a equipe está sobrecarregada e, ao citar acidentes de trânsito causados por motoristas embriagados ou drogados, pediu para que as pessoas parassem 'de fazer m***'.

"Venho alertando o ente público do limite da nossa capacidade há semanas, minha única saída foi tentar esclarecer a população quanto aos cuidados [tanto com traumas quanto com contaminação da covid]. Foi um desabafo mesmo. Eu não esperava que o caso tomasse proporções fora da cidade", disse Signorelli.

De acordo com o médico, a UTI da Santa Casa comporta, normalmente, um total de dez pacientes, sendo três em isolamento - como é necessário para os cuidados com a covid-19. No período da pandemia foram abertos mais dez leitos, que, segundo Signorelli, atendeu bem a demanda de maio a outubro, até acabar a verba e ser necessário fechar os leitos extras. Com isso, em novembro, o hospital voltou a ter apenas três leitos de UTI com isolamento.

No final de novembro, com a possibilidade de uma segunda onda de casos da covid-19, a ala extra foi reaberta. "Hoje, temos 13 leitos de UTI de isolamento e sete leitos de UTI para os outros casos. O que diferenciou da primeira onda, é que os casos de traumas haviam caído muito. O que dessa vez não está acontecendo. Pacientes vítimas de traumas necessitam muitas vezes de cuidados intensivos. Isso está sobrecarregando um sistema de saúde já saturado", explicou o médico.

O médico ressaltou que a situação da covid-19 no país é complexa e que o desafio das autoridades públicas é muito grande. "Não existe uma 'bala de prata', como 'fique em casa' ou 'a vida continua'. Sou médico assistencialista e gestor, nossa função é atender a quem precisa. Os gestores públicos precisam equilibrar essa recomendação. Entendo que não é fácil", opinou.

"O que a população precisa fazer é se cuidar, cuidar do próximo. Isso vai passar, mas precisamos compreender que, neste momento, os serviços hospitalares precisam estar à disposição de quem adoece", complementou o diretor.

Desabafo nas redes

Após horas de trabalho no plantão e tratando casos que, segundo o médico, poderiam ser evitados, o diretor fez um apelo através de um vídeo postado nas redes sociais.

Esta madrugada, eu passei inteira cuidando de paciente com trauma, moto com álcool. Não dá. Entendam isso. Se você bebe e pega a moto, bebe e pega o carro, você é um irresponsável. Está entendendo? Você não tem empatia. Você não sabe o que é ter empatia. Não façam isso. Agora de manhã [24 de dezembro], mais de seis traumas, de manhã. De madrugada, três traumas. Todos com álcool e direção. Todos. E graves. Pensem um pouquinho antes de fazer m***. Entendeu? Não aguentamos mais.

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