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Butantan anunciará amanhã eficácia geral da CoronaVac, diz governo de SP

João Doria (PSDB) mostra caixa da CoronaVac ao lado de Jean Gorinchteyn (esquerda) e Dimas Covas; mais dados técnicos da CoronaVac serão divulgados amanhã - Divulgação
João Doria (PSDB) mostra caixa da CoronaVac ao lado de Jean Gorinchteyn (esquerda) e Dimas Covas; mais dados técnicos da CoronaVac serão divulgados amanhã Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo*

11/01/2021 08h44Atualizada em 11/01/2021 15h48

O Instituto Butantan anunciará amanhã a taxa eficácia geral da CoronaVac, vacina contra a covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e testada no Brasil pelo instituto paulista. A divulgação de novos dados da fase 3 dos testes do imunizante foi confirmada pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e pelo secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, em entrevistas concedidas na manhã de hoje.

"O Butantan realizará amanhã [terça-feira] mais uma apresentação específica sobre a vacina, com dados complementares, às 12h45. Dimas [Covas, presidente do Instituto Butantan] e outros cientistas vão discorrer sobre esse assunto. É tema da ciência, não da política", disse Doria em entrevista à Rádio CBN.

Jean Gorinchteyn, por sua vez, explicou em entrevista à GloboNews a importância do resultado sobre a eficácia geral. "Esses dados que chamamos de eficácia global estão em posse do Butantan e da Anvisa, e dessa maneira saberemos todos amanhã essas informações que são de fundamental importância para que possamos inserir nas propostas da campanha (de vacinação), trazendo à tona essa qualidade de informações", disse.

Anvisa e cientistas cobram mais dados

O Butantan apresentou à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), na última sexta-feira (8), o pedido de uso emergencial da CoronaVac. Mas, no dia seguinte, o órgão federal cobrou a submissão de mais dados e informações sobre o imunizante. Ontem, o instituto começou a enviar os documentos pendentes. O prazo previsto pela Anvisa para conceder ou não o registro de emergência é de dez dias.

Antes disso, pesquisadores e especialistas já haviam criticado uma suposta falta de transparência do governo estadual na divulgação dos dados. Eles cobram a divulgação da taxa de eficácia geral do imunizante, que consiste na comparação de quantas pessoas ficaram doentes entre os grupos de vacinados e daqueles que apenas receberam o placebo.

Na quinta-feira (7), Doria, ao lado de Dimas Covas, anunciou em entrevista que a vacina foi 100% eficaz na prevenção de casos graves e moderados de covid-19 e tinha eficácia de 78% a 100% contra o coronavírus, mas em desfechos secundários. Isto é, como a doença evoluiu entre os infectados, mas não quantas pessoas ficaram doentes.

Indonésia anuncia eficácia de 65,3%

Hoje, a Indonésia anunciou que, no país, os testes da CoronaVac indicaram 65% de eficácia. Ou seja, levando em conta um grupo de 100 pessoas que receberam o imunizante, 65 ficaram protegidas contra a doença. A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda uma taxa mínima de 50% de eficácia.

Segundo Doria, o anúncio da Indonésia é positivo. "É bem-vinda a aprovação da Indonésia, é o primeiro país que aprova formalmente, pela agência sanitária, a CoronaVac. Estão observando senso de urgência para salvar vidas dos seus habitantes. Espero que a Anvisa compreenda que também precisa salvar vidas aqui", disse.

Na Turquia, resultados preliminares indicaram eficácia de 91,25% em resultados iniciais dos testes com 7.371 voluntários.

Venda de CoronaVac para o Ministério da Saúde

Ainda na entrevista de hoje à Rádio CNN, Doria afirmou que a venda de doses da CoronaVac para o Ministério da Saúde não afetará a aplicação de vacinas no estado.

"Para o início da vacinação não faltará doses. Temos 11 milhões de doses no Brasil. Das 5 remessas que chegaram no aeroporto, 4 eu fui receber. Temos disponibilidade de vacina para a fase inicial. Seja em São Paulo ou no Brasil, essa fase inicial confere prioridade para profissionais de saúde. Essa quantidade da vacina do Butantan é perfeitamente suficiente para essa população. E vale lembrar que a única vacina em solo brasileiro é a vacina do Butantan", afirmou o governador.

Recentemente o Ministério da Saúde anunciou a compra de 100 milhões de doses da vacina CoronaVac. Mesmo assim, Doria tem sustentado que só vai seguir o plano do governo federal se a vacinação começar no dia 25 de janeiro ou antes.

Por enquanto, a vacina não recebeu aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e por isso o Ministério da Saúde não estipulou uma data para iniciar a imunização. O ministro Eduardo Pazuello tem cogitado começar a vacinação, na melhor das hipóteses, em 20 de janeiro.

Além da CoronaVac, também existe a expectativa sobre a aprovação da vacina desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford e a Fiocruz. Já foi feito um pedido de compra e de uso emergencial desse imunizante, mas por enquanto não há doses no Brasil.

Situação da pandemia e preocupação com Carnaval

Doria foi perguntado sobre a situação da pandemia em São Paulo. Ele criticou a população por fazer festas no fim do ano passado e disse que, por isso, a tendência é que a "segunda onda da covid-19" se agrave nas próximas semanas. Ele também mostrou preocupação com o Carnaval, que será em 16 de fevereiro. Oficialmente, os principais eventos no estado —como desfiles de escolas de samba e de blocos— estão cancelados.

"No período do Carnaval, se pessoas não tiverem consciência de que não devem participar de aglomerações, vai piorar. Peço que pais dialoguem com filhos para que não aceitem festas. A incidência em jovens cresceu assustadoramente. O Doutor Kalil me disse 'estou assustado, nunca vi algo semelhante'. Ele tem 40 anos de experiência e está assustado. Isso em hospital privado. Óbvio que se reproduz em hospital público. Já vivemos essa péssima experiência na virada do ano novo e isso está se repetindo em todo Brasil", concluiu Doria.

*Com informações da Reuters.

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