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3 meses

Pazuello ignora problemas e diz que Brasil receberá 'avalanche' de vacinas

Afonso Ferreira e Eduardo Militão

Do UOL, em São Paulo e Brasília

21/01/2021 11h42Atualizada em 21/01/2021 14h40

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou hoje que, ainda em janeiro ou no começo de fevereiro, o Brasil deverá receber uma "avalanche" de propostas de laboratórios para aprovação do uso de suas vacinas contra a covid-19 no país. Pazuello não especificou se seriam pedidos para uso emergencial ou definitivo.

"Em janeiro e começo de fevereiro, vai ser uma avalanche de laboratórios apresentando propostas, porque são 270 iniciativas no mundo produzindo vacinas", disse Pazuello na manhã desta quinta-feira (21) durante o lançamento do programa "Imuniza SUS", que visa capacitar profissionais de saúde para vacinar a população brasileira.

Em seu discurso, o ministro afirmou que o país precisa estar atento a esses pedidos para que as vacinas sejam disponibilizadas o mais rápido possível, desde que atendam os critérios necessário de segurança e eficácia.

"A gente tem que estar com muita atenção e cuidado para colocar todas elas, o mais rápido possível, disponíveis, dentro da segurança e da eficácia e na nossa capacidade de colocar no lugar certo, hora certa", declarou.

Pazuello ainda citou que o governo está em processo de receber 2 milhões de doses da vacina de Oxford produzidas pelo Instituto Serum, na Índia, e que o Instituto Butatan também tem 4,8 milhões de doses da CoronaVac aguardando liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para uso emergencial.

"Confiem no SUS. Estamos todos juntos. Nosso país é um só. Ele nunca foi dividido. Ele nunca será dividido", afirmou o ministro.

Vacina e matéria-prima estão travadas

Apesar do otimismo do ministro, ainda não há previsão de liberação por parte do governo indiano dos 2 milhões de doses da vacina de Oxford. O imunizante é o único com o qual o governo federal possui acordo e será produzido no Brasil pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Outro problema é um impasse com a China, que tem travado a importação da matéria-prima para a produção de vacinas tanto para a Fiocruz como para o Butantan, ligado ao governo de São Paulo e que produz a CoronaVac.

Sem o insumo necessário, a fábrica do Butantan está parada desde domingo (17) e aguarda o envio de um novo lote para retomar a produção da vacina.

Já as negociações com outra fabricante, a Pfizer, continuam em compasso de espera, principalmente depois de o ministro dizer publicamente que a farmacêutica havia feito muitas demandas para fechar a venda de doses. Em resposta, a Pfizer já disse que fez a primeira proposta para o Ministério da Saúde em agosto de 2020.

Prefeitura e estado é que executam saúde, diz ministro

Hoje, Pazuello afirmou que estados e prefeituras é que executam as ações de saúde. "O ministério não tem ação prática na sua constituição", disse. Ele não citou a crise sanitária do Amazonas e, mais especificamente, de Manaus, que já decretou o colapso de seu sistema de saúde. O estado precisou transferir mais de 100 pacientes para outras unidades da federação por falta de oxigênio.

"Quais são as tarefas e responsabilidades do nível federal? Ele tem responsabilidade normativa, projetos, programas, recursos, acompanhamentos. Tem todo o trabalho de distribuição de vacinas, contratação de grandes projetos de desenvolvimento. Discute os tetos de atendimento de média de alta complexidade, recebe demanda de estudar essas demandas para ver a seleção correta."

Ontem, seis procuradores do Conselho Superior do Ministério Público Federal cobraram o procurador-geral da República, Augusto Aras, por ter dito em nota que não poderia investigar autoridades federais por causa de eventual má gestão na pandemia de coronavírus.

Hoje, o ministro do STF Ricardo Lewandowski negou pedido da Rede Sustentabilidade para afastar Pazuello do cargo por causa da falta de oxigênio que gerou mortes no Amazonas e no Pará em meio à pandemia de covid-19.

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