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1 mês

Secretário de RO faz apelo à população: 'Não temos UTI para sua mãe'

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

25/02/2021 11h37Atualizada em 25/02/2021 12h44

Com hospitais públicos e privados sem vagas para internação de pacientes graves, Rondônia enfrenta um colapso no sistema de saúde em meio à alta procura de pacientes infectados na segunda onda de covid-19 no estado. Uma das principais alternativas para desafogar a rede —a transferência de doentes para outros estados— está suspensa por conta do aumento nas taxas de ocupações pelo país.

Diante do cenário, na madrugada de hoje, o secretário de Saúde de Rondônia, Fernando Máximo, fez um desabafo e publicou em vídeo pedindo para que as pessoas cumpram medidas de isolamento social e alertando que não há leitos de terapia intensiva.

"Meu recado é para você, que aglomera; que faz festinha; você que não está usando máscara; [indo a] reuniãozinha e bebedeiras: Nós não temos leito de UTI para sua mãe! Não tem leito de UTI para o seu pai, para sua tia, para seu filho, para sua namorada! Não temos leito para você!", disse em tom visivelmente cansado e emocionado.

"'Ah, mas eu tenho condição financeira, vou para o particular'. Lá está cheio também. 'Então eu vou para São Paulo'. Os grandes hospitais de São Paulo estão todos lotados. Nós precisamos nos cuidar. A cepa nova está aí, os leitos lotados, não estão aceitando pacientes fora. Eu não estou conseguindo aumentar leito", completou.

Até agora, o estado contabiliza 145.427 casos e 2.787 óbitos —42 deles registrados ontem. Dos 244 leitos de UTI adulto disponíveis do estado, apenas dois estavam vagos ontem (mas já aguardando paciente). Dos hospitais privados, cinco dos 51 leitos adultos estavam vagos ontem.

"Todos os mais de 300 leitos de UTI que criamos especificamente para pacientes com covid estão lotados. E nós temos fila de espera. Mandamos mais de 90 pacientes para outros estados, mais de 60 deles intubados em UTIs aéreas; Mas os estados lá fora não estão mais cedendo vagas porque eles não têm. E continuamos a atender pacientes do Amazonas, casos moderados, pacientes que evoluem e precisam de intubação e vão para UTI", relatou.

Uma das preocupações do secretário é com as mutações do vírus que circulam no estado. "Rondônia tem várias delas, elas são mais transmissíveis de uma pessoa para várias outras, além de reinfecções: pessoas que tiveram na primeira vez estão tendo de todas outras cepas de forma mais grave e até falecendo —inclusive pessoas mais jovens", afirmou.

Outro ponto crítico do estado é a falta de profissionais. "Nós tivemos que fechar essa noite cinco leitos de UTI por falta de médico, lá no Cero (Centro de Reabilitação de Rondônia). Lá tem 10 médicos com covid-19, a vacina não fez efeito ainda, demora uns dias. Não consigo médicos nem para manter os leitos, imagina para ampliar?! Estamnos com muita dificuldade. Os profissionais estão exaustos física e mentalmente, não estão mais conseguindo trabalhar. Estão seguindo porque são guerreiros, são fortes, estão vendo pessoas morrendo, e querem salvar vidas."

"Mas não adiante o governo e o governador trabalharem 24 horas por dia, a Secretaria de saúde trabalhar 24h, se você não fizer a sua parte. Preciso contar com você, cidadão, e eu não sei mais o que fazer para contar com você. Já fizemos apelos, mas tenho visto gente que não tem obedecido. Mas eu preciso falar de novo! Repito: não tem vaga de UTI para você, rico ou pobre; homem ou mulher; novo ou velho", finalizou.

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