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Orçada em R$ 500 mi, fábrica da CoronaVac produzirá outras vacinas em 2022

Um dos prédios da nova fábrica de vacinas do Instituto Butantan - Andre Porto/UOL
Um dos prédios da nova fábrica de vacinas do Instituto Butantan Imagem: Andre Porto/UOL

Leonardo Martins

Do UOL, em São Paulo

18/07/2021 04h00

Andaimes sobem e descem os funcionários que, de capacete amarelo, movimentam-se pelos três andares de obra. Das oito horas da manhã até o final da tarde, há mais seis meses, o barulho de soldas, furadeiras e guindastes são a sinfonia presente na avenida da Universidade, 210, dentro do campus da Universidade de São Paulo.

A obra incompleta faz com que não pareça, mas é ali, na sede do Instituto Butantan, onde 400 trabalhadores estão erguendo uma nova fábrica de produção de vacinas que permitirá ao Brasil, pela primeira vez, desenvolver e envasar imunizantes contra a covid-19 em território nacional.

A oficina irá receber um maquinário — orçado em cerca de meio bilhão de reais — para produzir em São Paulo a CoronaVac, vacina desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac Biotech. Mas a fábrica não será exclusiva.

Chamada de "fábrica multipropósito", a usina faz parte de um projeto do Butantan de refinar a produção de boa parte dos imunizantes desenvolvidos pelo laboratório paulista. Ali, também serão desenvolvidas novas e antigas vacinas já feitas pelo laboratório, como a da raiva e a da hepatite.

Não é o caso da ButanVac, outra vacina desenvolvida pelo Butantan. Essa, feita em parceria com um consórcio internacional, tem outro método de produção.

Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan - André Porto/UOL - André Porto/UOL
Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan
Imagem: André Porto/UOL

Iniciativa privada e "doações altruístas"

A fábrica é composta por dois prédios, que o UOL visitou na primeira semana de julho. Um deles já existia e é usado para conservar máquinas de geração de energia, água e ar comprimido, entre outros compostos. Ao seu lado, foi erguido, em um terreno de 9 mil metros quadrados, um novo complexo de três andares onde as vacinas serão produzidas e envasadas.

A obra está sendo realizada por duas empresas privadas, a Telstar e a Afonso França Engenharia. A conta da reforma será paga por meio de doações de quase 40 empresas privadas que encheram os cofres do governo de São Paulo com cerca de R$ 180 milhões em donativos.

É uma "doação absolutamente altruísta", nas palavras de Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, que garante não haver nenhuma troca de favores ou interesses das empresas com o laboratório.

Na parte interna, a tecnologia ficará por conta do laboratório, que comprou máquinas de empresas dos Estados Unidos e da Europa para desenvolver as vacinas.

Clayton Ribeiro Sobrinho, gerente de obras e projetos do Butantan -  Andre Porto/UOL -  Andre Porto/UOL
Clayton Ribeiro Sobrinho, gerente de obras e projetos do Butantan
Imagem: Andre Porto/UOL

Investimentos

"Como a fábrica não está operando, os custos previstos vão ter investimentos para que ela seja colocada em operação. Não é só construção, há equipamentos, o estudo clínico. Os investimentos giram em torno de meio bilhão de reais", disse Dimas Covas ao UOL.

"No térreo, é onde teremos a produção do IFA (Insumo Farmacêutico Ativo). No andar de cima, será um andar técnico, com equipamentos de ar condicionado e processamento de materiais. Na parte inferior, é a parte de descontaminação. Todo líquido biocondutor não pode ser descartado direto, ele precisa passar por um sistema de descontaminação térmica", explicou Clayton Ribeiro Sobrinho, gerente de projetos e obras do Butantan.

O gerente de desenvolvimento industrial, Adriano Alves Ferreira, ressalta a importância da etapa de descontaminação, já que o processo de fabricação de vacinas deve inativar o vírus vivo de qualquer doença, como a covid-19.

"A fábrica tem rigor de biossegurança adequado para manipular o vírus. É um processo que envolve a inativação, a morte do material vivo que está vindo no influente. É a descontaminação térmica", disse.

Adriano Alves Ferreira, gerente de produção do Butantan - Andre Porto/UOL - Andre Porto/UOL
Adriano Alves Ferreira, gerente de produção do Butantan
Imagem: Andre Porto/UOL

Hoje em dia não podemos pensar em uma única plataforma para uma mesma vacina. Temos que pensar no conceito multipropósito."
Adriano Alves Ferreira, gerente de desenvolvimento industrial

Por enquanto, segundo técnicos do Butantan, a obra está 65% completa e com previsão de entrega para setembro. Terminada a reforma e instalado o maquinário, a usina ainda passará por novas inspeções de técnicos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e por uma bateria de testes que terão de comprovar que a fábrica está produzindo vacinas de forma segura e correta.

Isso tudo, no entanto, ainda vai demorar. A previsão dos diretores do laboratório paulista é que a fábrica comece a produzir vacinas para serem aplicadas apenas no segundo semestre de 2022.

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