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Sem protocolo para eventos grandes, Rio tem venda para camarotes da Sapucaí

Ao menos 10 milhões de pessoas circularam no Rio no último Carnaval Imagem: Fernando Grilli/Riotur

Lola Ferreira

Do UOL, no Rio

01/08/2021 04h00

"Diante dos dados, terá Réveillon e Carnaval." O prefeito Eduardo Paes (PSD) crê na realização das festas que reúnem, juntas, ao menos 13 milhões de pessoas nas ruas do Rio.

Contando com a vacinação completa de 90% da população adulta da capital em novembro, Paes diz acreditar que será possível realizar os grandes eventos —mas ainda não divulgou um protocolo específico contra a covid-19 para as festas.

Com as frequentes sinalizações do prefeito de que haverá festas —apesar de sempre condicionadas à queda dos índices de mortes e infecções—, camarotes privados da Marquês de Sapucaí já começam a vender ingressos para 2022.

Recentemente, a prefeitura e a Liesa (Liga das Escolas de Samba) assinaram o contrato de cessão do Sambódromo à liga e, pela primeira vez na história, ele garante o espaço para a festa pelos próximos quatro carnavais, de 2022 a 2025. A Liesa receberá a Marquês de Sapucaí em 1º de dezembro do ano anterior ao Carnaval e devolverá à prefeitura em 31 de março.

Enquanto isso, a prefeitura organiza um grande evento para marcar o início da reabertura na cidade, já em setembro. Cientistas avaliam que ainda é cedo para decidir se haverá ou não Carnaval.

O Carnaval é uma festa com grande aglomeração. Eventos em setembro são irresponsabilidade, mas aqueles a partir de dezembro ainda estão longe para dizer como serão. Até lá, o Brasil tem que melhorar a vigilância de casos e testar pessoas, além de vacinar mais."
Eliseu Waldan, epidemiologista e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP

Riotur divulgará Réveillon nesta semana

Paes afirmou que em breve assinará o contrato que libera o patrocínio para as escolas de samba do Rio, mas não especificou valores ou data de assinatura.

Há uma cláusula que diz que, caso não aconteça na data programada, as escolas terão obrigação de fazer em data a ser programada pela prefeitura."
Eduardo Paes, prefeito do Rio

Em relação ao Réveillon, ele afirmou que a Riotur, secretaria que cuida do turismo na cidade, divulgará na próxima semana os detalhes da festa. No último Réveillon, cerca de 3 milhões de pessoas foram às areias de Copacabana assistir à queima de fogos.

Já no último Carnaval, em 2020, mais de 10 milhões de pessoas passaram pelas ruas da cidade e também pela Sapucaí, onde acontecem os desfiles de escolas de samba. A expectativa é de que a próxima edição de ambas as festas superem esses números.

'Precisamos saber como está o vírus no mundo'

Mas não basta a cidade do Rio estar completamente vacinada ou sequer todo o Brasil. É preciso observar o avanço da doença no mundo para cogitar a festa, segundo analisa a epidemiologista Ana Brito, da Universidade Federal de Pernambuco.

"Mesmo que a gente consiga o cenário ideal, de até dezembro ter todos vacinados, ainda assim precisamos saber como está o vírus no mundo. A não ser que o Brasil feche e não admita voos, navios e ônibus vindos de outros países, mas é impossível."

Enquanto isso, ao menos três camarotes de luxo na Sapucaí já vendem ingressos. Os valores vão de R$ 1.900 a R$ 3.000, dependendo do local e dia escolhido. As compras são feitas online e todos se mostram confiantes com a realização do evento.

A Liesa anunciou que irá iniciar a venda dos ingressos para os desfiles neste mês, sem maiores informações de valor e data específica.

Para Miguel Nicolelis, médico e neurocientista, falas de governantes, como a de Paes, contribuem para uma falsa sensação de "normalidade" e criam uma expectativa falsa na população.

"Essas comunicações passam a ditar as ações das pessoas. Se elas veem que vai ter um evento com aglomeração, por que se cuidariam agora? Ao por uma autoridade falando que vai abrir tudo, com sorriso nos lábios, se transmite para a população que está tudo bem, quando não está."

Rio terá grande evento já em setembro

Durante o anúncio do plano de reabertura total da cidade, Paes confirmou que haverá um grande evento entre 2 e 5 de setembro na capital para marcar o "começo do fim" da pandemia de covid-19.

A previsão é de DJs na orla, campeonato de futebol nas comunidades, eventos em polos gastronômicos e outras atividades do tipo.

Para Pedro Hallal, epidemiologista e coordenador do estudo Epicovid-19, da Universidade Federal de Pelotas, o anúncio do evento é precipitado.

Pelas características anunciadas, certamente é perigoso. Eventos-teste são bem-vindos, mas a proposta do Rio é um 'libera geral', até campeonato de futebol tem. O que temos certeza é que o campeão será o vírus."
Pedro Hallal, epidemiologista

Nas redes sociais, depois do anúncio, Paes afirmou que não será um "grande evento", mas sim pequenas ações ao ar livre em toda a cidade.

Como na apresentação do plano de reabertura, o prefeito condicionou o evento e as etapas seguintes, que vão desde público nos estádios até liberação total de máscaras, ao percentual de vacinados.

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