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Pico da delta: Recorde de casos no Rio não se traduziu em mais mortes

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Imagem: iStock

Lola Ferreira

Do UOL, no Rio

12/09/2021 04h00

As previsões do prefeito Eduardo Paes (PSD) e de especialistas em saúde se cumpriram, e a variante delta dominou o Rio de Janeiro em agosto. Com isso, a cidade alcançou o pico de casos de covid-19 de toda a pandemia (mais de 40 mil no mês passado), mas o recorde não se refletiu nos números de hospitalizações e óbitos.

De julho para a agosto, o Rio registrou aumento de 44% no total de casos positivos para covid. Por outro lado, os números de hospitalizações e mortes nas redes pública e privada permaneceram estáveis no município em relação a julho.

Os dados foram extraídos do Sivep-Gripe (Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe) da SMS (Secretaria Municipal de Saúde). A análise do UOL considera o mês de início dos sintomas.

Diante do cenário, especialistas avaliam que o comportamento da delta no Rio se deve ao avanço da vacinação.

O Rio viveu um fenômeno interessante, uma situação intermediária em relação a outros países atingidos pela variante: quando a delta chegou, estávamos no meio da campanha [de vacinação], já tínhamos vacinados todos os idosos."
Danilo Klein, médico epidemiologista

Para Klein, a vacinação já tinha avançado o suficiente "para evitar uma catástrofe, mas não tanto a ponto de impedir a circulação".

Em agosto, o Rio completou a primeira dose para pessoas de 18 anos e, em setembro, deve terminar de vacinar todos com mais de 12 anos. Na sexta (10), a capital terminou de vacinar adolescentes de 15 anos.

A cidade tem 44% da população completamente vacinada. A previsão da prefeitura é atingir 100% até o fim de novembro.

Recorde de casos não refletiu nas hospitalizações

A delta corresponde a 96% dos testes genômicos —que identificam a variante— feitos em agosto na capital, de acordo com a prefeitura. Por ser mais transmissível, de acordo com as evidências científicas mais recentes, houve impacto no aumento de casos de covid-19.

O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, também atribui o pico à maior capacidade de testagem do município.

A cidade teve 41.019 casos em agosto, o maior número de toda a pandemia —o recorde anterior era de dezembro de 2020, com 33.993 casos. Em julho, o número foi de 28.361, um aumento de 33% depois de atingir 21.225 em junho.

Já o pico de internações aconteceu em março, com 9.138 registros. Desde então, os meses registram queda acentuada. De maio para junho, houve queda de 38%, e o índice se mantém no mesmo patamar —em torno de 4.200— desde então.

Com exceção de maio e junho, pessoas com 60 anos ou mais foram a maioria entre as que precisaram de hospitalização. Danilo Klein explica que isso também pode ser atribuído ao avanço da vacinação.

"Quando temos mais vacinados, é normal que a proporção de internados vacinados aumente. Quando tivermos todos vacinados, os mais frágeis tendem a ser mais atingidos, ainda que com casos leves", diz o médico.

Em agosto, 4.060 pessoas com covid precisaram ser internadas. Em julho, este número foi de 4.244. Apesar da queda em números absolutos, o processamento dos dados ainda não terminou, já que 949 casos de agosto ainda estão em investigação ou sem diagnóstico —este índice costuma ter média de 338 por mês.

Os números finais podem indicar aumento de internações, mas longe de acompanhar a alta de casos.

Mesmo nos casos que internam, a evolução foi mais branda, menos pessoas evoluíram para a intubação. Isso justifica o baixo impacto de mortalidade."
Alberto Chebabo, médico e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia

Óbitos registram queda diante de internações

Em julho, os índices de internações que evoluíram para óbito e cura foram de 1.325 e 1.570, respectivamente.

Agosto registrou 982 internações que evoluíram a óbito e 685, para a cura. Em razão da lentidão de processamento, há ainda outros 2.390 registros com evolução não preenchida pelo sistema de saúde ou de internação em andamento —a média desse dado foi de 1.200 nos meses anteriores.

Desde abril, a proporção de óbitos de pessoas hospitalizadas com covid vem caindo no município. Naquele mês, foi de 40%, chegando a 31% em julho e 28% em agosto, com ressalvas para o já citado problema de processamento.

Membro do comitê científico de combate à pandemia de covid-19 da cidade do Rio, Chebabo diz acreditar que a vacinação teve efeitos mesmo antes do fim da campanha e reduziu as mortes após internações.

"Mesmo com proteção parcial, com apenas uma dose, a vacina provocou resposta. Certamente a aplicação teve papel preponderante na redução da gravidade, internações e no baixo impacto [da delta] em termos de mortalidade", define.

A média móvel de óbitos na capital chegou a atingir 127 casos no início de abril. Desde então, não atingiu patamares tão altos, apesar de não ser uma "queda livre", já que houve oscilações. Mas agosto começou com média móvel de 72 óbitos e teve redução, terminando com 60 casos de média.

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