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Covid: Randolfe pede inquérito da PF sobre vacinas que podem ser perdidas

7.jul.2021 - O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid - Edilson Rodrigues/Agência Senado
7.jul.2021 - O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Weudson Ribeiro

Colaboração para o UOL, em Brasília

20/06/2022 18h57

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) protocolou hoje no STF (Supremo Tribunal Federal) um pedido para abertura de investigação da PF (Polícia Federal) a fim de apurar a conduta dos responsáveis, no Ministério da Saúde, pelo estoque de 28 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 que podem ser perdidas até o fim de agosto caso os imunizantes não sejam aplicados até lá.

"Deixar essa quantidade de doses vencerem sem a apropriada destinação —o braço dos brasileiros— atenta não só contra o patrimônio público, mas diretamente contra os quase 670 mil mortos no país até o momento. Além disso, é um acinte contra os países mais pobres, que tiveram, desde o início da pandemia, dificuldade de obtenção de doses para proteger as suas populações, face à desigualdade material entre os países", afirmou o congressista, que foi vice-presidente na extinta CPI da Covid.

Comprados a R$ 1,23 bilhão, os lotes se acumulam no momento em que a cobertura está estagnada e o governo Jair Bolsonaro (PL) trata com desdém a perda de fôlego da campanha de vacinação. São ao menos 26 milhões de unidades da Astrazeneca e quase 2 milhões de doses da Pfizer que perdem a validade nos próximos dois meses (12 milhões e 16 milhões vencem, respectivamente, em julho e agosto).

Os dados, que são mantidos sob sigilo pelo Ministério da Saúde, foram levantados pelo TCU (Tribunal de Contas da União) em relatório obtido pelo UOL. Na representação, Randolfe pede que o STF determine ainda a transparência nos dados de vacinas pela pasta, inclusive de estoques e datas de validade.

O senador pede ainda a realização de ampla campanha de vacinação, considerada a baixa adesão à terceira dose, com vacinação em postos de grande fluxo (rodoviárias, estações de metrô, escolas etc); e a análise sobre a ampliação da aplicação da quarta dose para as demais faixas etárias, tendo em vista que ainda está limitada às pessoas acima de 40 anos.

Segundo o relatório do TCU, cada dose da vacina Astrazeneca custou R$ 41,83. No caso da Pfizer, o valor é de R$ 66,89. Os lotes que podem vencer somam R$ 1,09 bilhão e R$ 128,66 milhões, respectivamente. Os dois modelos de vacinas são apontados pelo próprio Ministério da Saúde como prioritários no reforço da imunização contra a covid-19.

O Ministério da Saúde enviou aos Estados 19,5 milhões de doses de vacinas da covid em abril e maio de 2022. O governo federal tem 83 milhões de doses estocadas atualmente segundo dados divulgados no site do ministério. O TCU afirma que de setembro até o fim deste ano mais 24,85 milhões de vacinas perdem validade.

Saúde fala em estratégia para usar doses

O secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, disse hoje que a pasta trabalha "para que nenhuma dose seja perdida". A declaração foi dada em evento sobre a inclusão de pessoas entre 40 e 49 anos e que iniciaram o esquema vacinal com Pfizer, AstraZeneca ou Coronavac no grupo que pode receber a quarta dose do imunizante anticovid-19.

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