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Nestlé adiciona açúcar em produtos para bebês em países pobres, diz ONG

Um relatório das ONGs internacionais Public Eye e Ibfan mostra que a Nestlé adiciona açúcar em produtos voltados para bebês em países em desenvolvimento, incluindo o Brasil. O mesmo não acontece no país-sede da empresa, a Suíça, e outros mercados europeus. Em nota, a Nestlé disse aplicar "os mesmos princípios de nutrição, saúde e bem-estar em todos os lugares onde operamos".

O que aconteceu

Análises laboratoriais mostraram que Mucilon, cereal anunciado para bebês e crianças, contém 3 gramas de açúcar adicionado por porção no Brasil, segundo a investigação das ONGs. A quantidade equivale a uma colher de chá, aproximadamente. Crianças menores de 2 anos não devem ingerir nenhum tipo de açúcar, como indica o Guia Alimentar Para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, do Ministério da Saúde.

Embalagem não declara adição de açúcar. "Isso é preocupante", disse o professor da UFPB (Universidade Federal da Paraíba) Rodrigo Vianna à PublicEye. "O açúcar não deve ser acrescentado em alimentos oferecidos a bebês e crianças mais novas, porque é desnecessário e altamente viciante. As crianças se acostumam com o sabor e começam a procurar alimentos com mais açúcar, começando um ciclo negativo que aumenta o risco de problemas de nutrição na vida adulta. Isso inclui obesidade e outras condições crônicas, como diabetes e pressão alta".

Na Suíça e em outros mercados europeus, como Alemanha, França e Reino Unido, o mesmo produto, vendido com o nome "Cerelac", não contém açúcar adicionado. A quantidade média de açúcar encontrada no Cerelac chegou a 7,3 gramas nas Filipinas, e 6,8 gramas na Nigéria, por exemplo. Segundo as ONGs, foram testados 150 produtos da Nestlé vendidos em países de renda média e baixa.

Ao UOL, a Nestlé afirmou que Mucilon tem produtos com e sem açúcares adicionados, de acordo com os limites estabelecidos como seguros pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). "Variações nas receitas entre países dependem de vários fatores, incluindo regulamentos e disponibilidade de ingredientes, por exemplo, e não comprometem a qualidade e a segurança dos nossos produtos", disse a companhia.

Leite Ninho para crianças de um a três anos não contém açúcar adicionado no Brasil, mas no Panamá, por exemplo, o produto continha 5,3 gramas de açúcar por porção. Em Nicarágua, chegou a 4,7 gramas.

Para professora da África do Sul, diferença é uma "forma de colonização". "Não entendo porque os produtos a venda na África do Sul devem ser diferentes dos vendidos em locais de alta renda", disse Karen Hofman, da Universidade de Witwaterstand, de Joanesburgo. "É uma forma de colonização, e não deve ser tolerada. Não há razão válida para acrescentar açúcar a comida de bebê em lugar nenhum".

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