Como podemos diminuir o risco de câncer de mama

Jane E. Brody

  • Paul Rogers/The New York Times

O medo do câncer de mama é generalizado, mas ainda assim muitas mulheres não percebem que adotar um estilo de vida preventivo pode ajudar a afastar a doença. Os hábitos descritos abaixo também podem ajudar a afastar outros males que colocam a vida em risco, como doenças cardíacas e o diabetes.

Certamente, as mulheres têm muita razão para se preocupar com o câncer de mama. A doença é muito comum. Uma em cada oito mulheres nos EUA vai desenvolve-la ao longo da vida. A Sociedade Americana do Câncer estima que este ano 252.710 novos casos de câncer de mama invasivo serão diagnosticados, e 40.610 mulheres morrerão disso.

A realização regular de exames é considerada a forma mais eficaz de reduzir o número de mortes por câncer de mama, embora os especialistas continuem a debater quem deve ser examinado, assim como a frequência e a idade. Entretanto, pouco foi dito a respeito do que as mulheres podem fazer por conta própria para diminuir o risco de desenvolver o câncer de mama.

Uma das ações mais importantes é a inação: não fumar. A incidência do fumo diminuiu significativamente no último meio século, ainda assim, todos os dias nas ruas de Nova York ainda vejo mulheres jovens e adolescentes fumando. Um estudo realizado ao longo de décadas envolvendo 102.098 mulheres na Noruega e na Suécia revelou que, comparadas com as não fumantes, as mulheres que fumavam 10 ou mais cigarros ao dia por mais de 20 anos tinham 30% mais chances de desenvolver um câncer de mama invasivo, e meninas que começaram a fumar antes dos 15 anos de idade tinham quase 50% mais chances de desenvolver o câncer de mama.

Um editorial da revista científica The Journal of Clinical Oncology publicado no ano passado afirmou que cerca de 20 mil mulheres continuam a fumar nos EUA mesmo depois do diagnóstico de câncer de mama. Os autores do estudo, a Dra. Barbara A. Parker e John P. Pierce da Universidade da Califórnia, em San Diego, afirmaram que as pacientes com câncer de mama que param de fumar acrescentam benefícios significativos à quimioterapia e à radioterapia após a operação.

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Outro fator importante que está no controle dos indivíduos é o peso. À medida que o índice de massa corporal, ou IMC, aumenta, o mesmo acontece com o risco de desenvolver câncer de mama, especialmente se a mulher tem excesso de peso em torno da cintura. Isso porque a gordura abdominal é metabolicamente ativa, produzindo fatores e hormônios do crescimento, incluindo o estrogênio, que podem estimular o desenvolvimento de células de câncer de mama.

O Dr. Walter Willett, professor de epidemiologia e nutrição na Escola de Saúde Pública T.H. Chan, em Harvard, afirmou em 2010 à Nutrition Action Healthletter: "Provavelmente a coisa mais importante que as mulheres podem fazer para diminuir o risco de câncer de mama é evitar o ganho de peso ao longo da vida adulta".

O sobrepeso também diminui as chances de sobrevivência caso a mulher venha a ter câncer de mama, embora não se saiba se emagrecer após o diagnóstico do câncer aumente a chance de remissão. Minha opinião: não fique esperando evidências definitivas, já que perder peso ajuda a reduzir o risco de doenças cardíacas, diabetes e vários outros tipos de câncer.

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Um terceiro fator claramente relacionado ao câncer de mama é o álcool. Mulheres que consomem de dois a cinco drinques por dia têm 40% mais chances de desenvolver o câncer de mama, se comparadas às que não bebem. Na verdade, uma única bebida por dia já pode aumentar o risco de câncer de mama em 7%.

O consumo de álcool afeta o nível de hormônios sexuais que aumentam o risco de câncer em mulheres antes e depois da menopausa. Entre as que já foram tratadas contra a doença, o consumo equivalente a três ou quatro drinques por semana aumenta o risco de recorrência, especialmente após a menopausa e para as que têm sobrepeso ou são obesas.

Contudo, beber esporadicamente não é problemático. Sou sobrevivente do câncer de mama há 18 anos e continuo a beber ocasionalmente: um ou dois drinques por semana, às vezes nenhum.

Dieta ideal

Quanto ao que comer, tente adivinhar. A dieta indicada para a proteção contra doenças cardíacas, também é a mais eficaz contra o câncer de mama. Essa dieta enfatiza vegetais ricos em fibras, frutas e grãos integrais, minimiza alimentos ricos em proteína como a carne vermelha, que é rica em gorduras saturadas, além de excluir praticamente todos as bebidas e alimentos adoçados.

Uma análise recente de 15 estudos prospectivos revelou que o menor risco de câncer de mama é registrado entre as mulheres que mais consomem frutas e vegetais. Contudo, a associação mais forte não foi encontrada entre as mulheres que mudaram suas dietas após o câncer de mama, mas as que comiam muitas frutas e legumes no começo da vida e continuavam consumindo durante a vida adulta.

O melhor para a proteção são frutas e vegetais ricos em substâncias conhecidas como carotenoides, os pigmentos vegetais de cor laranja que são os precursores da vitamina A. Entre os alimentos ricos em carotenoides estão a batata doce, a cenoura, a abóbora, mas também vegetais folhosos escuros, como o espinafre e a couve, assim como frutas como melão cantaloupe e tomate.

Em relação aos alimentos a base de soja, ainda não existe veredito. As mulheres asiáticas consomem muitas coisas a base de soja ao longo da vida, e têm os índices mais baixos de câncer de mama. Entretanto, as substâncias supostamente protetoras presentes na soja – as isoflavonas – não revelaram benefícios entre mulheres com dietas ocidentais. Alguns especialistas alertam contra o uso de suplementos de isoflavonas, que são fonte de alta concentração de estrogênio vegetal.

Também é melhor evitar gorduras saturadas. Embora não exista ligação direta entre produtos derivados de leite e risco de câncer de mama, derivados ricos em gordura, como queijo, sorvete e leite integral, que naturalmente contêm estrogênio, podem encurtar a vida das sobreviventes.

Com base no número de estudos, incluindo um acompanhamento de 20 anos envolvendo jovens enfermeiras norte-americanas, a Sociedade Americana do Câncer sugere que as mulheres limitem o consumo de carne vermelha (bovina, suína e caprina) a duas refeições por semana, além de limitar ou evitar ao máximo o consumo de carnes processadas, como bacon, salsicha, embutidos e linguiças.

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Exercícios, sempre

Agora vem o fator que mais gosto: atividade física. Exercícios regulares não apenas ajudam a prevenir o câncer de mama e a promover a recuperação após a doença, como também protegem contra muitas outras doenças crônicas e podem ajudar as mulheres a alcançar e manter o peso ideal.

Mais de 50 estudos de observação realizados nos EUA e em muitos outros países revelam que as mulheres ativas têm menos riscos de desenvolver câncer de mama, além de diminuir a taxa de mortalidade entre as acometidas pela doença.

Não é preciso viver na academia, nem correr maratonas para tirar proveito dessa proteção. Atividades com caminhadas rápidas são eficazes, especialmente se forem feitas durante uma hora todos os dias. Mas até mesmo atividades de 30 minutos diários são melhores que nada.

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