Motociclista tentou parar caminhão em Nice e também morreu no ataque

Em Berlim

Um motociclista tentou parar o caminhão que avançou contra a multidão na noite de quinta-feira (14) em Nice, buscando abrir a porta do veículo, que ainda circulava em baixa velocidade no Passeio dos Ingleses, antes de cair, informou o jornalista alemão Richard Gutjahr.

"Eu estava na varanda (de um hotel) com vista direta para o Passeio dos Ingleses vendo as pessoas que estavam celebrando (o 14 de Julho) quando, de repente, um caminhão surgiu em direção à multidão", contou por telefone.

"Ele estava dirigindo muito devagar, isso é que foi surpreendente. E foi seguido por um motociclista que estava andando atrás dele, e o motociclista tentou ultrapassar e até tentou abrir a porta do motorista do caminhão", contou o jornalista, que gravou um vídeo com o celular para a cadeia pública alemã ARD.

"Mas ele caiu e ficou sob os pneus do caminhão", acrescentou.

"Eu também vi dois policiais atirarem contra o caminhão. E, em seguida, o motorista do caminhão acelerou e dirigiu em ziguezague para cima da multidão. Em seguida, houve de 15 a 20 segundos de disparos de várias armas", contou ainda.

Segundo seu testemunho, tudo demorou 60 segundos. Ele também viu o pânico tomar conta das pessoas e mais de dez corpos caídos no chão.

"Foi o caos absoluto, gente gritando", descreveu o jornalista da França Robert Holloway, presente nas festividades.

França como alvo de ataques

O atentado se junta a outros dois grandes ataques ocorridos na França, na capital Paris, nos últimos meses: o ataque à redação do jornal "Charlie Hebdo" em 7 de janeiro de 2015, que deixou 12 mortos, e os atentados coordenados de 13 de novembro do ano passado, onde 130 pessoas morreram.

O primeiro foi cometido por dois irmãos ligados à Al-Qaeda e o segundo, realizado em localidades diferentes --como a casa de shows Bataclan e os arredores do estádio Saint-Denis--, foi organizado pelo Estado Islâmico.

O atentado em Nice ocorre em um contexto de ameaça terrorista muito elevada, especialmente na França, envolvida em ações militares na Síria contra o Estado Islâmico. O país acaba de sediar a Euro 2016 em meio aos temores de ataques e chegou a cogitar partidas em estádios sem o público presente --o que não ocorreu.

Estado de emergência terminaria no fim de julho

O massacre também acontece menos de duas semanas antes do final programado para o estado de emergência na França, previsto para o dia 26 de julho. No entanto, o presidente da França, François Hollande afirmou em pronunciamento à nação que vai prolongar em três meses as medidas de emergência. A proposta precisa ser aprovada pelo Congresso francês.

Até o momento, o ataque não foi reivindicado por nenhum grupo.
(Com agências internacionais)

 

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