Rio sela paz com Austrália, mas polêmicas persistem na Vila Olímpica

Rio de Janeiro, 27 Jul 2016 (AFP) - O prefeito do Rio e a Austrália selaram a paz nesta quarta-feira, em uma conversa sobre a condição caótica da Vila Olímpica, com as controvérsias permanecem, enquanto uma nova pesquisa mostrou que os brasileiros estão muito desanimados com os Jogos.

O prefeito Eduardo Paes deu um beijo na bochecha da chefe da delegação australiana, Kitty Chiller, entregando a ela a chave simbólica da cidade e pedindo desculpas pelos contratempos na Vila, que incluem banheiros interditados, perigosas instalações elétricas e vazamentos.

"Eu vi isso. Esse era o pior prédio. Eu reconheço os problemas com que você se deparou", disse Paes, arrependido.

O discurso de Paes estava longe de sua reação no domingo (24), após Chiller criticar as acomodações dizendo que eram as piores que ela já tinha visto em cinco Olimpíadas.

Na ocasião, Paes tentou levar o assunto na brincadeira, afirmando que enviaria um canguru para que os australianos se sentissem em casa. Os australianos não acharam graça nenhuma.

O diretor de comunicação do comitê olímpico australiano, Mike Tancred, respondeu: "Não precisamos de cangurus, precisamos de encanadores". A polêmica causou grande alvoroço nas redes sociais, com a hashtag #kangaroogate.

Paes explicou nesta quarta-feira que não tinha a intenção de ofender e ofereceu "uma desculpa formal, quase uma questão diplomática".

Presidente do COI minimiza problemasCercada de atletas australianos, Chiller elogiou o Brasil pela "paixão e comprometimento" na realização de reparos - e deu a Paes um canguru de pelúcia.

Entretanto, novas preocupações surgiram sobre a corrida contra o tempo para terminar a Vila com apenas 9 dias antes do início dos Jogos, que terá sua cerimônia de abertura no dia 5 de agosto.

Inspetores do trabalho acusaram a comissão organizadora dos Jogos Olímpicos de manter 630 funcionários sem contratos e que os mesmos estariam trabalhando até a exaustão.

"Se um trabalhador sofre qualquer tipo de acidente ou é morto, a família não terá nenhuma garantia", disse o inspetor Hércules Terra ao portal G1, afirmando que os organizadores seriam multados.

Perguntado sobre quanto custariam os reparos, Paes respondeu: "Eu não sei".

O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o alemão Thomas Bach, que desembarcou no Rio nesta quarta-feira, preferiu minimizar os problemas na sua primeira visita à Vila dos Atletas.

"Nos últimos dias antes dos Jogos sempre existem desafios, é o que acontece aqui. Já conversei com atletas, que me descreveram a situação de ontem (terça-feira) e destacaram o quanto ficaram felizes com as melhoras constadas hoje", comentou o dirigente.

"Temos esperança de que tudo os acabamentos dos últimos prédios sejam concluídos nas próximas 24 ou 48 horas", prometeu.

Os problemas da Vila Olímpica são outra situação embaraçosa para o Brasil, que está se esforçando para mostrar que pode lidar com a pressão durante um recessão econômica severa e uma crise política.

"Não tem sido fácil, porque o Brasil está passando por um momento difícil. Sabemos disso e por isso admiramos ainda mais tudo que foi realizado", completou Bach.

Investigação do Ministério do TrabalhoComo se não bastassem os problemas de acabamento das obras, o Ministério do Trabalho está investigando irregularidades nos contratos de operários que trabalham dia e noite para fazer os reparos.

"Existem indícios de informalidade na contratação de aproximadamente 600 trabalhadores", informou o ministério em comunicado enviado à AFP. "Além disso, foram verificadas jornadas de trabalho de até 23 horas", denunciou o texto.

Os organizadores já estão lidando com questões como a baixa venda de ingressos, a apatia do público, medo sobre o vírus da zika e aumento da criminalidade, além das queixas da polícia sobre a falta de recursos.

Uma pesquisa publicada no jornal Estado de São Paulo mostrou que 60% dos brasileiros acreditam que os Jogos Olímpicos irão trazer mais malefícios do que benefícios para o país.

A pesquisa do Ibope para o Estadão apresentou que apenas 32% dos brasileiros acreditam que a primeira Olimpíada na América do Sul será mais positiva do que negativa.

Essa diferença mostrou um desânimo maior do que na véspera do último evento esportivo ocorrido no Brasil, a Copa do Mundo de 2014. Na época, 40% das pessoas esperavam que os resultados negativos fossem maiores, em comparação com os 43% que estavam otimistas.

Paes rebateu a pesquisa dizendo ao Estadão que "a cidade do Rio de Janeiro já está se beneficiando do legado, a população já está se beneficiando".

A Anistia Internacional deu destaque nesta quarta-feira à violência policial no Rio de Janeiro ao colocar 40 sacos pretos em frente à sede do Comitê Olímpico Brasileiro - representando cada pessoa morta por policiais da cidade em maio.

"Nossa principal preocupação é que há um aumento da violência policial quanto mais nos aproximamos dos Jogos", disse a especialista da Anistia, Renata Neder.

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