Akihito fala em "arrependimento" pelo passado do Japão ao lembrar o fim da 2ª Guerra

Em Tóquio

  • Toru Yamanaka/ AFP

    O imperador Akihito (dir.) e a imperatriz Michiko prestam reverência em memorial para as vítimas da guerra, em Tóquio

    O imperador Akihito (dir.) e a imperatriz Michiko prestam reverência em memorial para as vítimas da guerra, em Tóquio

O imperador Akihito destacou nesta segunda-feira (15) os "profundos arrependimentos" pelo passado guerreiro do Japão, no aniversário de 71 anos da rendição incondicional do país, que colocou fim à Segunda Guerra Mundial.

Ao olhar para nosso próprio passado e sentindo profundo arrependimento, desejo que nunca mais se repitam os estragos da guerra" Imperador Akihito

O pai do imperador, Hirohito, foi o encarregado de anunciar a rendição dias depois dos bombardeios atômicos contra Hiroshima e Nagasaki.

Desde que ascendeu ao trono, em 1989, Akihito personificou o Japão pacifista e respeitoso da Constituição de 1947, imposta pelos vencedores, na qual o imperador perdeu seu caráter divino.

Durante seu reinado, o imperador percorreu os países nos quais foram registradas atrocidades por parte das tropas imperiais japonesas de ocupação na Segunda Guerra para compartilhar a sua dor com as populações afetadas.

No ano passado, aos 70 anos da rendição japonesa, ele expressou, pela primeira vez, o "profundo arrependimento" pelos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial.

A mensagem deste ano ocorreu dias depois de o soberano dar a entender que deseja uma modificação do quadro legal para lhe permitir abdicar em favor de seu filho, Narihito, e transferir a ele suas funções - apenas honorárias - como "símbolo da nação".

Devemos agir para não repetir nunca mais os horrores da guerra. Devemos manter o compromisso firme de contribuir para a paz e a estabilidade" Shinzo Abe, primeiro-ministro do Japão

O nacionalista Abe é criticado pelos pacifistas por sua ambição de modificar a Constituição, cujo artigo 9 estipula a renúncia do país à guerra como meio de solucionar as divergências internacionais.

Por sua vez, as ministras do Interior e dos Jogos Olímpicos, assim como 70 parlamentares e outras personalidades, visitaram nesta segunda-feira o santuário patriótico de Yasukuni, em Tóquio, em homenagem às vítimas do conflito, o que pode provocar novamente a revolta da China e da Coreia do Sul.

Kazuhiro Nogi/ AFP
Mulher faz um desejo enquanto segura uma pomba branca durante cerimônia no templo Yasukuni

Este lugar de culto xintoísta lembra 2,5 milhões de mortos pelo país, entre eles 14 japoneses que os aliados condenaram como criminosos de guerra após o fim do conflito.

A expansão militar do Japão entre 1910 e 1945 segue tensionando as relações diplomáticas com seus vizinhos asiáticos.

Nesta segunda-feira, a presidente sul-coreana, Park Geun-Hye, convocou relações orientadas para o futuro entre seu país e o Japão.

"Devemos redefinir as relações com o Japão para forjar laços orientados para o futuro", disse a presidente em um discurso transmitido pela TV em Seul.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos