Itália busca sobreviventes de terremoto que deixou 250 mortos

Amatrice, Itália, 26 Ago 2016 (AFP) - A terra continuava tremendo nesta quinta-feira (25) no centro da Itália, onde centenas de funcionários das equipes de resgate trabalham intensamente em meio aos escombros de pequenas cidades, na busca por sobreviventes após o terremoto que matou ao menos 250 pessoas e deixou 365 feridos.

O número de mortos não para de aumentar e já chega a 250, dos quais 190 apenas na pequena cidade de Amatrice. Entre as vítimas, há muitas crianças que passavam as férias com seus avós.

A região afetada, a apenas 160 quilômetros de Roma, é uma área de passagem de turistas, o que provoca o temor de mortos de várias nacionalidades.

Segundo o último boletim da Defesa Civil, 365 feridos, entre eles vários em estado grave, seguem hospitalizados, enquanto 215 pessoas foram resgatadas com vida dos escombros.

Dezenas de tremores secundários foram registrados à noite e durante o dia, entre eles um forte sismo às 14h30 (9h30, horário de Brasília), que gerou medo na população. Os socorristas tiveram de interromper seus trabalhos, depois que um muro no centro histórico de Amatrice caiu muito próximo da equipe.

O novo tremor causou novos deslizamentos e o campo esportivo da cidade, utilizado para as operações de resgate, precisou ser evacuado. Mais de 400 abalos foram sentidos desde o terremoto devastador de 6,2 graus de magnitude.

As equipes de resgate não perdem as esperanças de encontrar sobreviventes sob a montanha de pedras e escombros nas áreas devastadas pelo terremoto.

As autoridades informaram que as buscas serão interrompidas apenas quando existir a certeza de que não é mais possível localizar pessoas.

Na quarta-feira, depois de mais de 15 horas de trabalho árduo, os bombeiros italianos conseguiram encontrar uma menina de 10 anos ainda com vida. Completamente coberta de poeira, Georgia permaneceu impassível nos braços de seu salvador, entre aplausos e lágrimas. A irmã mais nova da sobrevivente foi encontrada morta.

O diretor da Defesa Civil, Fabrizio Curcio, reconheceu que teme que o número de mortos supere o de L'Acquila, em 2009, quando mais 300 pessoas perderam a vida em outro terremoto devastador.

Os bombeiros recordam que o último sobrevivente do terremoto de L'Aquila foi resgatado 72 horas depois da catástrofe.

"Em Amatrice, já contabilizamos mais de 200 mortos", afirmou, inconsolável, Sergio Pirozzi, o prefeito da localidade na região do Lácio, que foi praticamente apagada do mapa.

"A situação é muito pior do que em uma guerra. Minha irmã não merecia uma morte assim", disse, aos prantos, Rita Rosine, uma sobrevivente de 63 anos, que perdeu a irmã de 75, soterrada em sua própria casa. A Rita, não restou nada.

Emocionou o país a história de uma escola, que tinha acabado de ser reformada para cumprir as normas antiterremoto e desabou como um castelo de cartas. A Justiça anunciou que pediu a abertura de uma investigação sobre o ocorrido.

Dezenas de moradores e turistas passaram a noite em barracas, ou dentro de seus carros.

Prevenção, o objetivoUm dia depois da tragédia, entre a desolação e a surpresa, várias perguntas começam a ser feitas sobre o preço elevado pago pela Itália, com destaque para a qualidade das construções.

Nesta quinta-feira, o Conselho de Ministros se reuniu para decretar estado de emergência nas áreas atingidas pelo sismo. Após a reunião, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, anunciou o lançamento de um plano batizado como "Casa Itália". O objetivo: fazer da prevenção o eixo de ação do governo.

"A Itália precisa ter uma visão que não se limite à gestão de situações de urgência", declarou à imprensa, depois do Conselho de Ministros.

Ao longo do dia, Renzi reconheceu as enormes dificuldades para proteger tantos povoados e cidades com valiosos centros históricos, construídos há séculos.

"Será necessário realizar um trabalho sério e contínuo", prometeu Renzi, que espera evitar os erros de L'Acquila.

O governo decretou estado de emergência e desbloqueou um primeiro fundo de 50 milhões de euros para a catástrofe.

Por precaução, o dique de Scandarello, erguido em 1924, um dos lagos artificiais dessa região do Lácio, começou a ser esvaziado.

As autoridades vão começar a divulgar os nomes dos mortos, enquanto os desabrigados se preparam para uma segunda e dura noite.

"Ainda estamos em estado de choque. Dormimos no carro, mas, com todos os tremores, era difícil dormir", relatou Mario, pai de dois meninos.

A embaixada espanhola confirmou a morte de uma jovem de 25 anos, casada com um italiano, que sobreviveu.

Segundo a imprensa inglesa, três cidadãos britânicos morreram, incluindo um adolescente de 14 anos que vivia em Londres e visitava Amatrice com a família. Seus pais e irmã sobreviveram.

Dois romenos também morreram no terremoto, anunciou o governo em Bucareste, acrescentando que quatro romenos estão feridos e outros oito, desaparecidos.

Os governos de Canadá e El Salvador também confirmaram a morte de um cidadão de cada país.

Especialistas, historiadores e arqueólogos serão mobilizados em toda a península para avaliar o patrimônio e estabelecer um calendário de obras de prevenção, para impedir que vilarejos localizados em áreas de alto risco sísmico desapareçam com um terremoto.

"Nós, os geólogos, há anos pedimos que se desenvolva a cultura da prevenção para evitar essas tragédias", declarou o presidente do Conselho de Geólogos, Francesco Peduto.

Segundo um primeiro censo realizado pelo Ministério da Cultura, 293 lugares de valor cultural, entre igrejas, conventos e campanários medievais e do Renascimento, foram danificados, ou destruídos.

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