Paramilitares iraquianos lançam ofensiva para cortar rota entre Mossul e a Síria

Al Qayyarah (Iraque)

Forças paramilitares iraquianas lançaram, neste sábado (29), uma ofensiva para arrebatar do grupo EI (Estado Islâmico) uma cidade do noroeste do Iraque e cortar a rota de abastecimento dos extremistas a partir da Síria, abrindo uma nova frente na batalha pelo controle de Mossul. Combatentes das Hashd al-Shaabi (Unidades de Mobilização Popular), uma coalizão de milícias xiitas apoiadas pelo Irã, lançaram uma operação para recuperar Tal Afar, uma cidade de maioria xiita antes de ter sido conquistada pelo EI em 2014.

Pouco envolvidas até agora na vasta operação lançada em 17 de outubro para recuperar o controle de Mossul, a segunda maior cidade do Iraque e último reduto do EI no país, as milícias xiitas atuam a partir de agora na única frente em que a forças terrestres iraquianas não foram implantadas, a oeste da cidade, em direção a vizinha Síria. "A operação tem o objetivo de cortar a rota de abastecimento entre Mossul e Raqa (reduto do EI na Síria) para apertar o cerco sobre Mossul e libertar" a cidade de Tal Afar, declarou à AFP Ahmed al Asadi, porta-voz das milícias xiitas Hashd al-Shaabi.

Além de Tal Afar, a operação visa reconquistar as cidades de Tal Abta e Hatra. Perto desta última há um centro arqueológico inscrito no Patrimônio Mundial da Unesco e vandalizado pelo EI.

A participação dessas unidades na ofensiva tem sido questionada. Os curdos iraquianos e os sunitas não são favoráveis. As milícias xiitas afirmam ter nenhuma intenção de entrar na cidade de Mossul, de maioria sunita. No passado, essas milícias foram acusadas de cometer abusos ao entrar em cidades habitadas por sunitas.

As relações entre os paramilitares xiitas e a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos também são tensas, apesar de as milícias serem muito populares no Iraque, país de maioria xiita.

Ataque ao sul de Mossul

Enquanto os paramilitares avançam na direção de Tal Afar, as forças federais lançaram um assalto em Al Shura, um distrito ao sul de Mossul. "As unidades federais lançaram um assalto à Al-Shura a partir de quatro frentes e o inimigo está afundando e abandonando suas posições defensivas", disse em um comunicado um comandante da polícia, o general Raed Tawfiq.

No dia anterior, a coalizão internacional anunciou uma "pausa" temporária nas ações das forças iraquianas para consolidar as conquistas obtidas desde o início da ofensiva. No entanto, algumas horas após este anúncio, um comunicado militar iraquiano afirmava que "as operações militares continuavam".

A medida que as tropas de Bagdá avançam em direção a Mossul, milhares de civis pagaram o preço dessa ofensiva. Segundo a ONU, cerca de 8.000 famílias foram sequestradas pelos extremistas do EI nesta cidade. Os reféns poderiam ser usados como "escudos humanos" pelos islamitas.

"A estratégia depravada e covarde [do EI] consiste em tentar usar a presença de civis para fazer com que determinados locais, áreas e zonas militares não sejam alvos de operações militares", declarou em um comunicado o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein.

Por outro lado, a ONU informou que mais de 250 pessoas foram massacradas pelo EI esta semana na segunda maior cidade do Iraque e seus arredores. Mais de 16.500 pessoas foram deslocadas desde o início da ofensiva, de acordo com a OMI (sigla para Organização Mundial para as Migrações).

A ONU advertiu que quase um milhão de pessoas poderiam ser forçadas a deixar suas casas, provocando uma emergência humanitária.

Já a oeste de Bagdá, as forças de segurança iraquianas anunciaram que impediram um ataque do EI contra a cidade de Ramadi. O ataque abortado levou à prisão de 11 pessoas e ocorre após uma série de atentados realizados pelos extremistas em resposta à operação em Mossul. As forças iraquiana "prenderam 11 membros do Daesh (acrônimo em árabe de EI) que planejavam atacar a cidade", indicou o capitão Ahmed al-Doulaimi, da polícia de Al-Anbar.

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