Construção de muro com México será paga com imposto, diz Trump

Nova York, 12 Jan 2017 (AFP) - Donald Trump declarou que não vai esperar um ano, ou um ano e meio, para construir o muro com o México - o que prometeu fazer rapidamente - e garantiu que o país vizinho pagará pela obra de uma maneira, ou de outra, possivelmente por impostos.

"Não é uma cerca. É um muro", afirmou Trump em sua primeira coletiva de imprensa em 167 dias.

"Não quero esperar um ano, ou um ano e meio" para começá-lo, alegou.

"O México pagará por ele (...) seja com um imposto, ou um pagamento. É menos provável que seja um pagamento", declarou.

Trump já havia ameaçado intervir nas remessas que milhões de trabalhadores mexicanos enviam dos Estados Unidos - uma das maiores receitas do México e sustento de muitas famílias -, se o México não pagar a construção do muro ao longo dos 3.200 km de sua fronteira sul.

O vice-presidente eleito Mike Pence está trabalhando com várias agências e com o Congresso para aprovar o financiamento do muro e dar início à sua construção, relatou Trump.

'Inadmissível'O governo mexicano garante que não pagará a conta do muro, previsto para se estender ao longo dos 3.200 km de fronteira, podendo chegar a entre US$ 8 bilhões e US$ 12 bilhões, de acordo com cálculos de Trump durante sua campanha.

O presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, reafirmou que o México não pagará pelo muro, mas se disse disposto a trabalhar para ter uma boa relação com o governo Trump.

"É evidente que temos algumas diferenças com o próximo governo dos Estados Unidos, como o tema de um muro que, obviamente, o México não pagará", mas ainda assim o governo mexicano trabalhará "para ter uma boa relação com os Estados Unidos e seu presidente", disse Peña Nieto.

O novo chanceler mexicano, Luis Videgaray, avaliou que "os Estados Unidos têm o direito de proteger suas fronteiras", mas é "inadmissível - e seria violentar de maneira profunda a dignidade de todos os mexicanos - é pretender que o México pague por infraestrutura dos Estados Unidos. Isso não vai acontecer".

"Nem hoje, nem amanhã, nem nunca o México pagará por esse muro estúpido. Se Trump quiser um monumento ao seu ego, ele que pague!", tuitou o ex-presidente Vicente Fox, nesta quarta-feira (11), depois da entrevista de Trump.

'México, eu te amo'Na coletiva, Trump disse que ama o povo mexicano, mas que ele se aproveita dos Estados Unidos e que isso vai acabar durante seu governo.

"Respeito o governo do México. Respeito o povo do México. Eu os amo. Muita gente do México trabalha para mim. São fenomenais. O governo é genial. Não os culpo pelo que aconteceu. Não os culpo por tentar tirar vantagem dos Estados Unidos", completou Trump.

A polêmica ideia do muro foi lançada no início de sua campanha. Na época, avaliou que a obra custaria entre US$ 8 bilhões e US$ 12 bilhões. Essa quantia seria reembolsada pelo Estado mexicano.

Também durante a campanha eleitoral, o presidente eleito acusou os mexicanos de serem "estupradores" e "narcotraficantes", afirmando que, se eleito, deportaria milhões de imigrantes que se encontram em situação ilegal nos Estados Unidos. Muitos são mexicanos.

Na entrevista coletiva concedida nesta quarta, ele anunciou uma "alta tarifa alfandegária" sobre as empresas americanas que optarem por se instalar no exterior.

"Se você quer mudar sua fábrica e, por exemplo, construí-la no México e fabricar seus ares-condicionados, ou carros, ou o que seja, e acha que venderá através de uma fronteira muito, muito forte, não por uma fronteira frágil como agora - na verdade não temos uma fronteira, mas uma peneira - estão enganados. Vocês vão pagar uma alta tarifa alfandegária", advertiu.

Recentemente, a Ford Motor Company - primeira montadora instalada no México, em 1925 - decidiu cancelar a construção de uma fábrica no estado de San Luis Potosí, ao norte, após receber críticas de Trump.

O investimento chegaria a US$ 1,6 bilhão, com previsão de criar 2.800 postos de trabalho.

Depois desses anúncios e às vésperas da posse de Trump, que acontece no próximo dia 20, o peso mexicano continua se desvalorizando em relação ao dólar. Chegou a um mínimo histórico de 22,2 unidades por dólar ao longo da sessão.

A economia mexicana está intimamente ligada à americana. Cerca de 80% das exportações do México têm o vizinho do norte como destino.

Desde 1994, o México é parte da Área de Livre-Comércio da América do Norte, ao lado de Canadá e Estados Unidos. Agora, Trump ameaça abandoná-lo, se não conseguir melhores condições para os americanos.

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