Comunidade asiática nos EUA agitada com política migratória de Trump

Los Angeles, 30 Mar 2017 (AFP) - O debate sobre as polêmicas políticas migratórias do presidente Donald Trump tem-se centrado quase inteiramente na comunidade latina, enquanto outros grupos, como os asiáticos, são ignorados no discurso.

Dos 11 milhões de imigrantes ilegais nos Estados Unidos, 80% vêm do México ou outros países latino-americanos. Mas o segundo maior grupo, com 1,5 milhão de pessoas, são de pessoas originárias da Ásia, de acordo com dados oficiais.

A maioria vem da China, Índia, Filipinas e Coreia do Sul, representando o grupo que mais cresce entre os imigrantes ilegais desde 2000, indica o centro de pesquisas Pew Research Center e Migration Policy Institute.

O número de imigrantes ilegais da Índia, por exemplo, cresceu de 130.000 em 2009 para meio milhão em 2014, segundo o Pew.

E, no entanto, os asiáticos têm sido negligenciados no debate sobre a imigração ilegal, que foi abordado pelo governo Trump como um tema "mexicano" que pode ser resolvido com a construção de um muro na fronteira.

"Os asiáticos nos Estados Unidos ainda não receberam a mesma atenção que as pessoas do México e da América Latina", afirma Stephen Yale-Loehr, advogado de imigração e professor da Cornell Law School.

Apesar disso, a preocupação entre os membros desta comunidade é grande.

Joon Bang, diretor executivo da associação coreana em Los Angeles, disse que, desde a eleição de Trump em novembro, tem visto crescer o medo entre a comunidade coreana.

"Para se ter uma ideia, recebíamos em média 60 chamadas por mês sobre questões de migração, e desde que Trump foi eleito esse número subiu para 150 chamadas por mês", afirma Bang.

"Está tudo relacionado ao medo das pessoas sem documentos, mesmo aquelas que possuem visto ou que estão em processo de legalização".

Enquanto muitos latinos entram nos Estados Unidos cruzando a fronteira por trilhas acidentadas e guiadas por coiotes, os asiáticos chegam de avião com visto de turista ou estudante e ficam mais tempo que o determinado.

E, ao contrário de muitos imigrantes do México e da América Central, não têm uma história de pobreza extrema ou violência.

Muitos coreanos indocumentados aproveitaram o decreto da administração anterior de Barack Obama para imigrantes ilegais que chegaram ao país quando criança (DACA) e para pais de cidadãos americanos e residentes permanentes (DAPA), que adiam a deportação.

Mas esses programas têm um futuro incerto sob o governo de Trump.

Em meio à atual incerteza, o conselho dado por Yale-Loehr aos ilegais é manter a discrição e esperar.

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