Oposição marcha na Venezuela em apoio à Suprema Corte paralela

Caracas, 22 Jul 2017 (AFP) - A oposição marcha neste sábado até o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), em Caracas, em apoio aos 33 magistrados juramentados pelo Parlamento em sua ofensiva contra o presidente Nicolás Maduro e a sua convocação a uma Assembleia Constituinte.

O Legislativo nomeou na sexta-feira um TSJ paralelo em uma sessão pública celebrada em uma praça da capital venezuelana, alegando que os juízes da corte suprema foram designados ilegalmente pela anterior maioria chavista no Parlamento e que servem ao governo de Maduro.

"A Assembleia Nacional cumpriu. Os novos magistrados se apresentaram. Agora todos vamos apoiar com força nas ruas o novo TSJ", tuitou neste sábado Freddy Guevara, vice-presidente do Congresso.

A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) convocou mobilizações em Caracas e outras cidades do país.

A Sala Constitucional do TSJ advertiu na sexta-feira que a nomeação de novos juízes configura os crimes de "usurpação de funções" e "traição à pátria", ambos punidos com prisão.

Destacou também que o Parlamento continua em desacato e, por isso, a corte considera nulas todas as suas decisões.

Cada vez que a oposição tenta marchar até o centro de Caracas, os manifestantes são bloqueados pelas forças de segurança. Neste sábado, os arredores do TSJ amanheceram militarizados.

A MUD planeja impedir as eleições da Constituinte, em 30 de julho, que denuncia como "uma fraude" que quer tornar a Venezuela "outra Cuba".

Entre quinta e sexta-feira, a oposição fez uma greve geral de 24 horas para exigir que Maduro desista do projeto, mas o presidente ratificou que seguirá em frente e avisou que colocará "ordem" após quatro meses de protestos que deixam 103 mortos.

A greve, segundo a MUD, marcou a "hora zero" de uma escalada para bloquear a Constituinte, posterior a um plebiscito simbólico realizado no domingo passado em que, assegura, 7,6 milhões de venezuelanos participaram.

A oposição considera que a greve foi acatada por 85% da população, mas Maduro e funcionários de alto escalão do governo a qualificaram como um fracasso.

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